A geriatra Luana Brandão concedeu entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, da Aperipê FM, abordando temas fundamentais sobre a violência contra a pessoa idosa, em alusão ao Junho Violeta, mês dedicado à conscientização e combate a esse tipo de violação.
Durante a conversa, Luana destacou que a violência contra idosos vai muito além da agressão física, envolvendo também aspectos financeiros e psicológicos. Ela explicou que, muitas vezes, o idoso é impedido de realizar atividades de seu interesse porque precisa arcar com despesas da família, como filhos e netos. Segundo a médica, quando o dinheiro do idoso é utilizado sem que ele seja o beneficiário direto, trata-se de violência financeira.
Além disso, ela alertou para situações em que o idoso é pressionado a fazer empréstimos para terceiros, o que pode gerar sofrimento emocional e psicológico, agravando ainda mais a vulnerabilidade dessa população.
Luana ressaltou que esses tipos de violência muitas vezes passam despercebidos, tanto pela sociedade quanto pelos próprios idosos, que acabam naturalizando essas situações por questões culturais. Ela explicou que fatores como dependência financeira, baixa escolaridade e pouca rede de apoio aumentam o risco de violência, pois dificultam o acesso à informação e à defesa de direitos.
A médica também enfatizou a importância do envolvimento da sociedade na identificação e denúncia de casos de violência. Ela citou canais como o Disque 100, o Disque Denúncia 181, o Ministério Público, delegacias especializadas e conselhos municipais do idoso como meios acessíveis para formalizar denúncias, que podem ser feitas de forma anônima.
Sobre a eficácia das campanhas de conscientização, como o Junho Violeta, Luana avaliou que elas têm sido importantes para dar visibilidade ao tema e estimular a reflexão, tanto em famílias quanto em comunidades. Ela acredita que o aumento da divulgação e o debate público ajudam as pessoas a reconhecerem situações de violência, inclusive em seus próprios lares ou vizinhança.
Outro ponto abordado na entrevista foi o rápido envelhecimento da população brasileira. Luana lembrou que, enquanto em 1960 a expectativa de vida era de cerca de cinquenta anos, hoje ela já ultrapassa os setenta e oito anos. No entanto, o país ainda enfrenta desafios para garantir recursos financeiros e sociais que permitam um envelhecimento digno.
A geriatra também comentou sobre a diferença de longevidade entre homens e mulheres, explicando que as mulheres costumam viver mais por terem uma cultura de autocuidado e maior frequência ao médico desde a adolescência, além de fatores hormonais. Ela observou que os homens, em geral, só procuram atendimento médico quando já apresentam sintomas ou são incentivados por familiares, especialmente pelas esposas.
Luana concluiu destacando que a conscientização, a denúncia e o cuidado preventivo são essenciais para proteger a pessoa idosa e promover uma sociedade mais justa e respeitosa com quem envelhece.