Em uma entrevista exclusiva ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia da Aperipê FM, o ortopedista Washington Batista — membro da American Board Of Surgical Assistants, nos Estados Unidos — lançou luz sobre questões críticas que afetam atletas de alto rendimento, com foco especial nas infiltrações medicamentosas e os desafios ortopédicos vividos por estrelas como Ronaldo Fenômeno.
O risco das infiltrações medicamentosas
A aplicação frequente de certos medicamentos por infiltração pode ser um divisor de águas na carreira de jogadores profissionais. Batista alerta que o uso recorrente dessas substâncias, dependendo de sua natureza e frequência, compromete a saúde articular e pode precipitar o fim precoce da carreira esportiva, ressaltando a importância de protocolos médicos individualizados.
O caso Ronaldo: Osgood-Schlatter como ponto de partida
Ronaldo Luís Nazário, o Fenômeno, conviveu desde jovem com Osgood-Schlatter, uma osteocondrite no joelho decorrente de uma cartilagem de crescimento que não fechou totalmente. O brutal ganho de massa muscular no início da carreira, aliado ao aumento de pancadas e ao crescimento rápido de peso — especialmente após sua passagem pelo Milan, quando passou dos 100kg — acelerou o desgaste articular, levando a lesões graves que marcaram história no mundo do futebol.
Dor recorrente não é normal: sinais de alerta
Pequenos incômodos após grandes esforços podem ser normais, desde que passem rápido. No entanto, dores que se repetem mais de duas vezes ao mês ou impactam movimentos do dia a dia — como usar o vaso sanitário, sentar ou levantar do sofá, entrar e sair do carro — são sinais de alerta. Nessas situações, Batista recomenda procurar um ortopedista imediatamente.
Da prevenção ao tratamento: o papel do fortalecimento muscular
O tratamento ortopédico vai muito além do repouso. Elevação da perna (de modo que o pé fique acima do coração), uso de meias de compressão, massoterapia ou drenagem linfática ativa o retorno venoso. No aspecto ativo, o fortalecimento muscular torna-se crucial: musculação possibilita a compressão de vasos sanguíneos remanescentes, facilitando a drenagem do sangue e protegendo as articulações.
Drenagem linfática: quando e para quem?
Segundo Batista, a frequência ideal de drenagem linfática é individualizada — cerca de 10 a 15 dias, dependendo do grau de inchaço, do tempo em pé e da possibilidade de repousar com membros elevados. Atenção: pessoas com histórico de câncer devem evitar esse procedimento.
O envelhecimento e a importância da massa muscular
A perda de força com o avanço da idade está diretamente ligada à perda de massa muscular. Em casos de inchaço, há compressão de vasos e nervos, gerando dor e agravando o quadro. Assim, a diminuição muscular intensifica ainda mais o problema, elevando a pressão interna dos tecidos afetados.
A ortopedia como “física”: mais ação, menos remediação
Na visão de Batista, a ortopedia é essencialmente física: para que haja recuperação eficiente, é preciso agir para aumentar a massa muscular e reduzir o inchaço. Antes de solucionar qualquer patologia ortopédica, o fundamental é atacar o problema subjacente. Essa abordagem proativa resolve, segundo ele, até 90% dos quadros ortopédicos.
Com dicas práticas e orientações claras, Washington Batista reforça a necessidade de prevenção, atenção aos sinais do corpo e o papel central do fortalecimento muscular como chave para a longevidade esportiva e o combate a problemas ortopédicos, dentro e fora dos gramados.