Por Barroso Guimarães
O ex-vereador de Aracaju Lucas Aribé, presidente do Instituto Lucas e Mariana Aribé de Acessibilidade para Inclusão Social de Pessoas com Deficiência (Instituto Iluminar), defendeu a necessidade de transformar a acessibilidade em uma política de Estado e ampliar as ações de conscientização, inclusão e garantia de direitos para as pessoas com deficiência.
Em entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106.1, com participação do repórter Eraldo Souza, Lucas Aribé afirmou que a missão do Instituto Iluminar é promover a acessibilidade em diferentes áreas, desde a estrutura física dos espaços até a comunicação, o transporte e, principalmente, o combate às barreiras atitudinais, como o preconceito e a discriminação.
Segundo Lucas, o Instituto foi criado em 2013, a partir de uma ideia construída desde 2004 ao lado da irmã Mariana Aribé. Desde então, a entidade desenvolve projetos e ações voltados à capacitação e à inclusão das pessoas com deficiência, além de promover oficinas de Libras e braile e eventos de conscientização.
Ao avaliar a acessibilidade em Aracaju, o ex-vereador reconheceu que houve avanços nos últimos anos, mas considerou que eles ainda são insuficientes. Ele citou a instalação de rampas, a presença de intérpretes de Libras em eventos públicos e melhorias na educação inclusiva, mas apontou deficiências na audiodescrição, na acessibilidade de sites governamentais e na programação de televisão.
Para Lucas Aribé, o principal desafio é fazer com que a acessibilidade deixe de depender da iniciativa de determinados gestores. Ele defendeu que o tema seja tratado como uma política de Estado, com continuidade independentemente de mudanças de governo ou de partido.
Na avaliação do ex-vereador, uma cidade acessível precisa garantir às pessoas condições para circular com liberdade, segurança e autonomia. Ele citou como medidas necessárias a padronização e melhoria das calçadas, instalação correta de piso tátil, sinalização adequada e semáforos sonoros.
Lucas também criticou problemas encontrados em obras e espaços públicos que, apesar de aparentemente acessíveis, não seguem corretamente as normas técnicas. Ele chamou atenção para a necessidade de fiscalização dos projetos e citou a ABNT NBR 9050, que estabelece critérios de acessibilidade para edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.
Outro ponto abordado na entrevista foi a importância da conscientização desde a infância. Para Lucas, o debate sobre inclusão precisa chegar às escolas para que crianças aprendam, desde cedo, que as pessoas com deficiência devem ter seus direitos respeitados e as mesmas oportunidades de estudar, trabalhar e participar da sociedade.
Instituto Iluminar participa de exposição do TRE
Lucas Aribé também falou sobre a participação do Instituto Iluminar em uma exposição do Tribunal Regional Eleitoral de Sergipe. A entidade colaborou na curadoria de acessibilidade e na produção de audiodescrição da mostra realizada no Memorial de Sergipe.
De acordo com Lucas, o espaço já apresentava recursos de acessibilidade arquitetônica, como piso tátil e braile, enquanto o Instituto atuou principalmente na acessibilidade comunicacional. A parte relacionada à Libras ficou sob responsabilidade do Ipaese.
Semana Aracaju Acessível
Durante a entrevista, Lucas anunciou a possibilidade de retomada da Semana Aracaju Acessível, evento criado em 2013 e voltado à conscientização sobre os direitos das pessoas com deficiência.
A iniciativa ocorre tradicionalmente em setembro, na semana do dia 21, data dedicada à luta pelos direitos da pessoa com deficiência. O evento reúne palestras, atividades esportivas e culturais, rodas de conversa e leitura, além de oficinas de braile e Libras.
A última edição foi realizada em 2021. Segundo Lucas, o Instituto pretende retomar o projeto, possivelmente no próximo ano.
Projeto Incluson amplia oportunidades profissionais
Outro destaque da atuação do Instituto Iluminar é o Projeto Incluson, curso profissionalizante de fotografia destinado a pessoas com deficiência intelectual.
Atualmente, o projeto conta com 22 alunos, com idades entre 19 e aproximadamente 53 anos. Segundo Lucas, alguns participantes já estão trabalhando como fotógrafos em órgãos públicos e em eventos.
A iniciativa surgiu a partir de uma experiência desenvolvida em São Paulo e foi adaptada para a realidade de Aracaju. O projeto conta com a participação voluntária do jornalista e fotógrafo Saulo Coelho e da fotógrafa Cátia França.
Ao final da entrevista, Lucas Aribé também comentou o cenário político e o impacto das redes sociais e da inteligência artificial no processo eleitoral. Sem citar candidatos ou partidos, ele demonstrou preocupação com a disseminação de informações falsas e defendeu o respeito à democracia e ao direito de escolha do eleitor.
Para o presidente do Instituto Iluminar, a construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva depende não apenas de obras e equipamentos, mas também de mudança de comportamento, conscientização e garantia de oportunidades para as pessoas com deficiência.