A equipe é composta por 11 psicólogos e um psiquiatra que enfatizam a importância do Setembro Amarelo
A Maternidade Nossa Senhora de Lourdes (MNSL), unidade materno-infantil de alta complexidade da Secretaria de Estado da Saúde (SES), trabalha com uma equipe multiprofissional para cuidar de pacientes com gestação de alto risco. Neste Setembro Amarelo, mês da campanha de valorização da vida, é essencial enaltecer o serviço da equipe de Psicologia e Psiquiatria da maternidade, que cuida da saúde mental das pacientes.
A equipe da MNSL é composta atualmente por 11 psicólogos e um psiquiatra. De acordo com a responsável técnica da equipe de Psicologia, Naiara França, o Setembro Amarelo, dentro de uma maternidade de alto risco, é a oportunidade de falar sobre a importância de cuidar da saúde mental em um momento da vida que, embora socialmente associado à felicidade, também pode ser atravessado por medo, ansiedade, insegurança, sofrimento e perdas. “Aqui na maternidade, muitas mulheres vivenciam uma gestação diferente daquela que haviam imaginado. Podem enfrentar internações prolongadas, complicações gestacionais, parto antecipado, nascimento prematuro ou até mesmo o luto pela perda do bebê. Todas essas experiências podem gerar impactos emocionais importantes para a mulher e para toda a família”, exemplificou.
Naiara avalia que o Setembro Amarelo nos lembra de que precisamos estar atentos não apenas aos sinais físicos, mas também aos sinais de sofrimento emocional. “Escutar, acolher e perguntar como aquela mulher realmente está são atitudes fundamentais de cuidado e prevenção. E esse cuidado não é de responsabilidade apenas da psicologia; toda a equipe de saúde tem um papel importante na identificação do sofrimento e no encaminhamento adequado para que essa mulher receba a assistência necessária”, explicou .
Para ela, o Setembro Amarelo é um convite para fortalecer uma cultura de cuidado. “Que falar sobre saúde mental não seja motivo de vergonha ou julgamento e que pedir ajuda seja compreendido como um ato de coragem e autocuidado”, enfatizou a psicóloga.
Carla Andrade teve a filha Malu prematura de 34 semanas. A bebê passou 18 dias na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (Utin) da Maternidade e mais sete dias na Ala Verde (enfermaria do Método Canguru). “Eu tive hipertensão arterial na gestação e a minha filha nasceu antes do tempo, isso me deixou muito ansiosa, fiquei triste, chorei, achei que ela não ia sobreviver. Mas tive o apoio dos psicólogos e do psiquiatra que me ajudaram muito a me acalmar e até baixar a minha pressão. Agradeço demais por esse serviço, pensei que nem existia por ser uma maternidade pública, fiquei surpreendida e muito grata”, frisou.
Sinais
Segundo o psiquiatra Jailton Júnior, os estudos apontam que tanto a gestação quanto puerpério são momentos críticos para a mulher. É preciso atentar para sinais de alarme como tristeza persistente, perda de prazer em atividades que antes eram prazerosas, apatia, comportamentos autolesivos, crises de ansiedade e perda de funcionalidade. Por serem gestantes de alto risco, o nível de estresse já é maior, o que aumenta a vulnerabilidade ainda mais, apresentando sintomas compatíveis com transtorno de adaptação, reação aguda ao estresse, transtorno ansioso ou depressivo, surtos psicóticos e uso problemático de substâncias psicoativas podem piorar o quadro de saúde mental.
“Nesses casos, a equipe responsável pelo pré-natal da gestante deve ter atenção a esses sinais de alarme, principalmente, quando apresentam impacto na realização de atividades básicas, prejuízo no funcionamento e comparecimento regular nas consultas. Assim, a atenção primária deve encaminhar esses casos para uma avaliação especializada. Nos critérios de encaminhamento imediato ou prioritário a preferência é levar para o pronto atendimento psiquiátrico, sendo que a nossa referência é o Hospital São José”, informou o psiquiatra.
Quando a mulher já tem diagnóstico de transtorno mental antes da gestação, o cuidado deve começar antes do parto e continuar de forma mais intensa no puerpério. “A gravidez não ‘zera’ o transtorno anterior, ao contrário, as mudanças hormonais, privação de sono, estresse e alterações ou suspensão de medicamentos podem favorecer descompensações. O principal é não interromper psicofármacos por conta própria quando descobre a gravidez. A decisão de manter, trocar ou ajustar uma medicação precisa considerar tanto os possíveis riscos fetais/neonatais quanto o risco de recaída materna se o tratamento for retirado. Isso é especialmente importante em transtorno bipolar, esquizofrenia, depressões graves e história prévia de psicose puerperal”, acrescentou o médico.
Cuidados
Para o psiquiatra, a família pode funcionar como uma espécie de rede de vigilância e proteção, conhecendo o padrão habitual daquela mulher. “A família deve ficar atenta a mudanças como insônia, isolamento, irritabilidade incomum, agitação, aceleração do pensamento, tristeza intensa, desesperança, ideias de morte, comportamento desorganizado, paranoia ou alucinações”, pontuou.
Jailton aconselha que também é recomendado planejar previamente o pós-parto, principalmente quem ficará com a mãe, quem poderá ajudar nos cuidados com o bebê e como preservar períodos adequados de sono. “Em mulheres com transtorno bipolar ou antecedente de psicose puerperal, isso ganha ainda mais importância porque o período imediatamente posterior ao parto apresenta risco particularmente elevado de descompensação”, completou.
Na maternidade, os profissionais verificam os antecedentes psiquiátricos como diagnóstico, internações, episódios de mania ou psicose, medicamentos utilizados e psiquiatra de referência. A abordagem deve ser sempre acolhedora e respeitosa. É importante garantir a continuidade do tratamento, conferir quais psicofármacos estavam sendo utilizados e evitar suspensões inadvertidas durante a internação. “Também devem articular obstetrícia, psiquiatria, pediatria/neonatologia e enfermagem. Idealmente deve existir um plano de cuidado compartilhado, especialmente nos quadros graves. Planejar a amamentação considerando os medicamentos. Dar atenção especial ao sono, pois, para algumas pacientes, sobretudo com transtorno bipolar, passar noites sucessivas praticamente sem dormir para cuidar do bebê pode ser um importante fator de descompensação”, concluiu.




Fotos: Ascom SES
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Fonte: Secretaria de Estado da Saude de Sergipe