Por Barroso Guimarães
Presidente da FSF compara investimentos do Botafogo-PB com o Confiança, questiona quem são os investidores da SAF e afirma que torcedores precisam conhecer a composição societária do clube
O presidente da Federação Sergipana de Futebol (FSF), Milton Dantas, fez duras críticas à gestão da SAF do Confiança e cobrou transparência sobre os investidores e os recursos destinados ao clube. As declarações foram feitas ao comentar as diferenças entre o modelo adotado pelo Botafogo-PB e a realidade encontrada no futebol sergipano.
Para Milton Dantas, a diferença começa na montagem dos elencos. Ele citou como exemplo os jogadores contratados pelos dois clubes e comparou Neném, do Confiança, com Sassá, do Botafogo-PB. Na avaliação do dirigente, a escolha dos atletas demonstra que o projeto do clube paraibano teria sido tratado com maior seriedade.
“Vamos começar com Neném. Aí você traz Sassá. Repare na comparação, Neném e Sassá. Já começa aí a grande diferença”, afirmou.
A principal cobrança, porém, foi direcionada à estrutura societária e financeira da SAF do Confiança. Milton Dantas questionou quem são todos os proprietários e investidores da empresa responsável pelo futebol do clube.
Segundo ele, há participação de 15% da Associação Desportiva Confiança e citou o empresário Luciano Barreto, da Construtora Celi, como um dos investidores que conhece e que, segundo suas declarações, colocou recursos no projeto.
“Eu sei de um. Homem sério, empresário conceituado e colocou seu dinheiro, que é Luciano Barreto, da Construtora Celi. Esse aí eu sei. Botou seu dinheiro”, declarou.
Empresário é acusado de não pagar R$ 9 milhões
Milton Dantas fez uma acusação ainda mais grave ao afirmar que um dos investidores teria assumido um compromisso de R$ 9 milhões para a SAF e, segundo ele, não teria cumprido o pagamento.
O dirigente não revelou o nome do empresário, mas afirmou que se trata de uma pessoa de grande poder econômico em Sergipe. Milton disse que pretende divulgar a identidade caso tenha acesso a documentos que comprovem a operação.
“Eu sei que um já deu calote de R$ 9 milhões, mas ninguém diz o nome desse empresário porque é gente grande do estado de Sergipe”, afirmou.
Em outro trecho da declaração, Milton Dantas reforçou a cobrança e disse que o nome do empresário deverá ser divulgado caso os documentos cheguem às suas mãos.
“Quando chegar na minha mão documento, eu vou dizer o nome dele”, declarou.
O presidente da FSF também questionou a informação de que a SAF do Confiança já teria recebido R$ 18 milhões. Segundo ele, esse valor precisaria ser analisado considerando o compromisso que, em sua versão, não teria sido cumprido.
“Disseram que o Confiança já recebeu R$ 18 milhões. Vamos falar a verdade: mentira”, afirmou.
Milton argumentou que, se havia um compromisso de R$ 24 milhões e R$ 9 milhões não foram pagos, não seria correto considerar os R$ 24 milhões como dinheiro efetivamente recebido pelo clube. Ele também afirmou que parte dos valores previstos seria distribuída ao longo de 15 anos e que, até o momento, ainda não teria sido realizado o pagamento correspondente ao primeiro ano da SAF, conforme sua interpretação da operação.
Cobrança por prestação de contas
Além dos investimentos, Milton Dantas defendeu que a SAF apresente informações financeiras aos sócios e ao Conselho do Confiança.
Ele lembrou que a SAF mantém relação com o quadro de sócios e afirmou que, por isso, deve prestar contas. O dirigente também citou a participação da advogada Danielle no Conselho como representante do clube e disse que pretende cobrar dela e dos demais responsáveis informações que possam ser tornadas públicas.
“Nós vamos cobrar dentro do conselho”, afirmou Milton, defendendo que as informações sobre os recursos e a composição da SAF sejam apresentadas de forma transparente.
A discussão ocorre em um momento delicado para o Confiança, que foi rebaixado da Série C para a Série D do Campeonato Brasileiro em 2026. A transformação do clube em SAF já havia sido marcada por divergências internas e questionamentos sobre os aportes financeiros e os trâmites necessários para a consolidação do modelo.
Milton Dantas concluiu reforçando que a torcida do Confiança precisa saber quem são os responsáveis pela SAF e qual é a origem e o destino dos recursos.
“A torcida do Confiança tem que saber quem são os donos do Confiança”, afirmou.