• Home
  • Política
  • Nove anos depois, impeachment de Dilma ainda molda a política em 2025 – RO Acontece

Nove anos depois, impeachment de Dilma ainda molda a política em 2025 – RO Acontece

Nove anos após o impeachment de Dilma Rousseff, consumado há exatos 16 anos, o país ainda vive sob a sombra daquele processo. Mais do que interromper o primeiro ciclo de poder do PT, iniciado em 2003, o afastamento da primeira mulher a presidir o Brasil inaugurou uma década de polarização radical, rearranjos partidários e instabilidade institucional que segue moldando a política em 2025.

O impeachment alterou as forças políticas, fortaleceu o Congresso e alimentou a ascensão da extrema direita. Projetou Jair Bolsonaro de deputado do baixo clero à Presidência em 2018 e compôs o pano de fundo da volta de Lula em 2022 e dos ataques de 8 de janeiro de 2023. Mais do que um episódio encerrado, 2016 foi o gatilho de uma década turbulenta.

O episódio segue dividindo interpretações. Para críticos, foi um golpe parlamentar conduzido com base em pretextos frágeis; para defensores, uma resposta constitucional diante de manobras fiscais e perda de legitimidade política. O certo é que o impeachment de Dilma não terminou em 2016: continua a pautar alianças, disputas e narrativas.

Da popularidade ao colapso político

As raízes da crise remontam às Jornadas de Junho de 2013, que abalaram a confiança no governo e reduziram a aprovação de Dilma de 57% para 30%. Logo depois, o Brasil mergulhou na mais grave recessão desde o Plano Real, com o PIB encolhendo 3,8% em 2015 e 3,6% em 2016. A inflação subiu, o desemprego disparou e o ambiente de insatisfação se generalizou.

A Operação Lava Jato, em pleno auge, deslocou o centro do debate público para a corrupção. Nesse cenário, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), pressionado por acusações e em rota de colisão com o governo, aceitou o pedido de impeachment em 2 de dezembro de 2015. O gesto foi interpretado como retaliação ao PT, que apoiava sua cassação no Conselho de Ética, e desencadeou o processo que se arrastaria por 273 dias.

 

Cunha, Lava Jato e o clima de ruptura

Cunha simbolizou o fortalecimento do Congresso como ator central. Depois dele, a correlação de forças entre Legislativo e Executivo não foi mais a mesma. Sua decisão revelou que a sobrevivência de um governo dependia menos da aprovação popular e mais da capacidade de articulação no Legislativo. O impeachment abriu, assim, um precedente que transformou o afastamento presidencial em instrumento recorrente de pressão.

Ao mesmo tempo, a Lava Jato reforçava a atmosfera de “faxina ética”. O ponto mais explosivo veio em março de 2016, quando o juiz Sergio Moro divulgou o áudio de uma conversa entre Dilma e Lula sobre sua nomeação como ministro da Casa Civil. A liberação, considerada irregular pelo STF, inflamou protestos e fortaleceu a narrativa de que o governo buscava blindagem judicial. Moro pediria desculpas dias depois, mas o impacto já estava dado: o áudio havia incendiado a política e as ruas. Lula teve sua nomeação barrada. Sua capacidade de articulação política – um dos maiores pontos fracos de Dilma, era vista por aliados como caminho para a salvação do mandato da presidente.

O julgamento e a voz de Dilma

A Câmara autorizou o processo em abril de 2016 por 367 votos a 137. Entre os votantes, um deputado do chamado baixo clero dedicou seu voto pelo impeachment ao torturador de Dilma, o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra. A declaração de Jair Bolsonaro gerou processo por apologia à tortura e críticas ao parlamentar. Mas também seduziu uma parte do eleitorado, que o levou ao Palácio do Planalto e o acompanha até hoje, às vésperas de ser julgado no Supremo Tribunal Federal.

Em 12 de maio de 2016, os senadores aprovaram a admissibilidade do processo, o que levou ao afastamento da presidente por 180 dias. Em seu lugar, assumiu o vice, Michel Temer (MDB), acusado por ela e aliados de participar ativamente de sua queda.

No Senado, sob relatoria de Antonio Anastasia (PSDB-MG), o julgamento político de Dilma se estendeu por seis dias e mais de 60 horas de sessões. Em discurso de defesa, a petista negou as acusações. “Estou sendo julgada injustamente. Não cometi crime de responsabilidade. Estão usando pretextos para derrubar uma presidenta eleita legitimamente por 54 milhões de brasileiras e brasileiros. Tenho medo apenas da morte da democracia”, afirmou.

Apesar dos argumentos da defesa, Dilma foi condenada por 61 votos a 20. Em votação destacada, o Senado preservou seus direitos políticos (42 a 36).

As ruas divididas

O impeachment consolidou a rua como arena política. Em 13 de março de 2016, cerca de 500 mil pessoas lotaram a Avenida Paulista pedindo a saída de Dilma. Movimentos contrários reagiram com atos em Brasília, Porto Alegre e Belo Horizonte, denunciando o processo como golpe. Essa divisão antecipou o ciclo de protestos que se repetiria nos anos seguintes, incluindo os atos pró-Bolsonaro e as manifestações contra ele. O Brasil se dividia. Líderes dos movimentos pró-impeachment nasciam para a política, no embalo do discurso antissistema. Vários deles, como Carla Zambelli e Kim Kataguiri, chegariam ao Congresso em 2018.

Temer e a guinada econômica

Com a saída de Dilma, Michel Temer assumiu a Presidência em definitivo e conduziu um governo de transição com perfil liberal-reformista. Entre 2016 e 2018, aprovou o teto de gastos (Emenda Constitucional 95), a reforma trabalhista, a lei da terceirização, a reforma do ensino médio e novas regras de financiamento do BNDES.

Apesar da força no Congresso e da capacidade de barrar duas denúncias criminais, Temer não conseguiu aprovar a reforma da Previdência e terminou com aprovação baixíssima, em torno de 4%. Sua impopularidade descarregou ainda mais combustível sobre um eleitorado antipolítica que seria capitalizado por Jair Bolsonaro em 2018.

As marcas institucionais e políticas

O impeachment deixou legados que ainda moldam 2025:

Coalizões frágeis: expôs a dependência de presidentes de alianças instáveis e negociadas em torno de cargos e recursos.
Judicialização: ampliou o protagonismo do Judiciário e do Ministério Público, colocando-os no centro das disputas.
Ruas como arena: protestos se consolidaram como mecanismo de pressão decisivo.
Rearranjo partidário: implodiu o eixo PT-MDB-PSDB, abrindo espaço para novas forças, sobretudo a extrema direita.
Precedente institucional: empoderou o Congresso e naturalizou o impeachment como solução para crises de governabilidade.
Dilma e Bolsonaro

Com os direitos políticos preservados, Dilma disputou o Senado por Minas Gerais em 2018, mas ficou em quarto lugar. Fora das urnas, no entanto, reconquistou protagonismo: em 2023, foi indicada por Lula para presidir o Novo Banco de Desenvolvimento (Brics), em Xangai, cargo para o qual foi reconduzida em 2025.

Algoz de Dilma em 2016, Jair Bolsonaro caminha para a condenação no Supremo por tentativa de golpe. O julgamento começa na próxima terça-feira (2) e deve durar cinco sessões. Bolsonaro está em prisão domiciliar e é acusado de liderar a trama golpista que, segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República, tentou impedir a posse de seu sucessor. Também está inelegível até 2030 por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Lula e Cunha

Lula, que teve sua posse na Casa Civil impedida pela Justiça, foi julgado e condenado em dois processos por corrupção e lavagem de dinheiro. Foi excluído da eleição de 2018, vencida por Bolsonaro, e preso por 580 dias. De lá para cá, viu suas condenações serem anuladas após ser apontado conluio entre Ministério Público e Justiça, e voltou à Presidência, derrotando o capitão reformado por pequena margem. Embora com popularidade em baixa, Lula é o favorito para as eleições de 2026, de acordo com as pesquisas mais recentes.

Responsável por detonar o processo que ejetou Dilma do Planalto, Eduardo Cunha passou cerca de três anos e cinco meses preso, após ser detido em 2016 na Lava Jato. Ele acumulou várias condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, incluindo penas de até 24 anos e 10 meses, mas em 2023 o STF anulou sua principal sentença, de quase 16 anos, e enviou o caso à Justiça Eleitoral. Embora não tenha condenação definitiva, continua respondendo a processos por corrupção, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral. Em 2022 tentou voltar à Câmara, por São Paulo, mas não se elegeu.

 

Congresso Em Foco

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

últimas notícias

mais lidas

VEJA MAIS

Dinheiro na mão de todos faz a economia crescer

A economia de um país não pode ser medida apenas pelo desempenho da bolsa de…

Em Aracaju, SMTT prepara esquema especial de trânsito para três corridas de rua neste final de semana

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), realizará…