Durante o Grande Expediente da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese), o secretário de Desenvolvimento Urbano e Infraestrutura (Sedurbi), Luiz Roberto Dantas de Santana, subiu à Tribuna para detalhar as obras em andamento no estado. Entre os destaques, foram citados o Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Nunes Alves, o Complexo Materno-Infantil Nossa Senhora de Lourdes, além de intervenções de drenagem, terraplanagem e pavimentação nos bairros Guajará e Santa Inês, e o novo complexo da ponte Aracaju-Barra dos Coqueiros. A iniciativa de convidar o gestor para esclarecer dúvidas partiu do deputado estadual Georgeo Passos (Cidadania).
Na oportunidade, o secretário abordou ações de diversas pastas, incluindo a Companhia Estadual de Habitação e Obras Públicas (Cehop), o Departamento de Infraestrutura Rodoviária de Sergipe (DER/SE) e a Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic). Ele citou programas estratégicos como o Acelera Sergipe, o Viva-SE (que integra projetos de cultura e turismo) e o Pró-Rodovias, além de investimentos nas áreas de Educação (Seed) e Segurança Pública (SSP).
Atentos à explanação, os deputados estaduais realizaram questionamentos. Georgeo Passos, autor da propositura, reconheceu a importância da presença do secretário, mas criticou a morosidade na execução de certos projetos e a efetividade das ações apresentadas. O parlamentar demonstrou preocupação com o ritmo das entregas e com a diferença entre os anúncios oficiais e a realidade percebida pela população, mencionando ainda gargalos na infraestrutura e no abastecimento de água. “Vemos o secretário trazer informações sobre investimentos na casa dos milhões, mas, na prática, o que o povo de Sergipe já recebeu? O programa Acelera, carro-chefe do governo, entregou poucas obras até o momento. Há muita lentidão em processos que, mesmo após licitados, aguardam trâmites para a emissão da ordem de serviço. Além disso, enfrentamos o problema crônico da falta de água junto à Deso”, ressaltou o deputado.
Em sua defesa, o secretário Luiz Roberto avaliou como positiva a oportunidade de prestar contas na Alese. Ele detalhou empreendimentos estruturantes como o Hospital do Câncer, que foi assumido com apenas 8% de execução e já foi entregue, e o Banco de Alimentos. O gestor enfatizou a retomada de investimentos em habitação com recursos próprios para reduzir o déficit habitacional e reforçou que a presença no Parlamento é um pilar da transparência pública. “A Assembleia é a casa do povo. Estar aqui para esclarecer dúvidas de forma ética e responsável é uma obrigação do gestor”, afirmou.
Por outro lado, a deputada Linda Brasil (Psol) considerou algumas respostas insuficientes. “As respostas foram vagas. Fiz perguntas específicas sobre a real necessidade de construção de uma nova ponte ou de alternativas viárias, além de questionamentos sobre possíveis irregularidades nas licenças ambientais. Já existem investigações do Ministério Público e da Justiça Federal sobre licenças emitidas em desacordo com a legislação ambiental. No entanto, o que foi apresentado não trouxe comprovações suficientes. Também não foram apresentados de forma clara o relatório e os estudos de impacto ambiental que fundamentariam a obra, conforme denúncias recebidas de representantes das comunidades pesqueiras e de marisqueiras”, declarou.
Já o líder do Governo, deputado Cristiano Cavalcante (União Brasil), defendeu a relevância do detalhamento do cronograma de obras para a compreensão da aplicação dos recursos públicos. Para ele, o papel da Alese como espaço de fiscalização e debate foi cumprido com êxito. “A Alese é a caixa de ressonância da sociedade; é fundamental manter o diálogo direto com os sergipanos”, concluiu.
Fotos: Jadilson Simões/Agência de Notícias Alese