Por dia, cerca de 35 idosos são alvos da oferta abusiva de crédito. Os dados foram levantados pelo Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). Ao todo, no ano passado, 13.081 pessoas entre 60 e 70 anos denunciaram a prática no Consumidor.gov.
O recorde dos últimos oito anos foi registrado em 2021, quando 28 mil casos foram notificados. Em 2024, as denúncias estavam em tendência de queda, com 5,9 mil registros, mas voltaram a crescer em 2025.
Advogado do Idec, Igor Marchetti avalia que, em 2021, ocorreu o ápice de casos, provavelmente devido à pandemia. “As pessoas estavam mais vulnerabilizadas depois da Covid-19 e muitas instituições financeiras jogaram mais pesado na questão da oferta de crédito. Nesses períodos, o consumidor pode aceitar acordos pouco vantajosos”, explica.
Já o aumento do ano passado é explicado pelo escândalo do INSS e outras denúncias de consignados. “O número de reclamações aumenta quando as pessoas estão mais atentas e sabem acessar as informações. Por isso é importante o acesso à orientação”, explica.
A advogada Marcele Roberta Pizzatto, especialista em Direito Previdenciário e Direito do Consumidor, alerta que o aumento de crimes financeiros contra idosos é uma preocupação no Brasil, principalmente no caso de oferta de crédito sem consentimento e na cobrança de juros abusivos.
“Essas práticas, além de ilegais, violam direitos básicos do consumidor e atingem diretamente um público mais vulnerável. De acordo com a legislação brasileira, nenhuma contratação de crédito pode ocorrer sem autorização expressa do consumidor. Ainda assim, são frequentes os relatos de idosos que se deparam com valores ‘disponíveis’ em suas contas sem saber que se tratam de empréstimos sujeitos a juros”, explica.
R7