Por Barroso Guimarães
A primeira pesquisa censitária LGBTQIAPN+ de Sergipe já está em andamento. O levantamento busca reunir dados qualitativos e quantitativos sobre a população nascida ou residente no estado, com o objetivo de subsidiar políticas públicas voltadas à comunidade. O tema foi destaque na entrevista concedida por Zaíla Luz, pedagoga e pesquisadora da área de educação com foco em justiça social, e Maria Luz Miranda, pedagoga e militante pelos direitos da população trans e travesti, ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106,1.
Zaíla explicou que a pesquisa é uma iniciativa fundamental para compreender as realidades e desafios enfrentados por pessoas LGBTQIAPN+. “O estudo permite identificar os marcadores sociais que afastam nossa comunidade de oportunidades de emprego, educação e dignidade”, destacou. Segundo a educadora, o projeto está sendo realizado em parceria com organizações locais e busca também agentes de pesquisa para atuar nos municípios sergipanos.
Maria Luz reforçou a importância simbólica de iniciar o censo no mês de janeiro, período que marca o Mês da Visibilidade Trans. “É um momento de reconhecimento e de construção de dados inéditos. O IBGE não traz informações específicas sobre a população LGBTQIAPN+, e esse levantamento é uma forma de nos conhecermos e mostrarmos nossa realidade à sociedade”, afirmou.
Durante a entrevista, as convidadas aproveitaram para esclarecer conceitos muitas vezes confundidos, explicando as diferenças entre pessoas trans, travestis e gays, além de ressaltar a importância do uso correto dos pronomes como um gesto de respeito à identidade de cada pessoa. “Perguntar como a pessoa quer ser tratada é um ato de humanidade e empatia”, explicou Maria Luz.
O presidente da ONG Dialogay, Paulo César, também participou da entrevista e destacou a relevância da parceria da entidade com o projeto. “Sergipe será o primeiro estado do Nordeste a realizar uma pesquisa desse tipo. É um marco que permitirá cobrar políticas públicas baseadas em dados concretos”, afirmou.
A pesquisa é desenvolvida pela organização Amalgamar, que já realizou trabalho semelhante no Grande ABC paulista. O projeto conta com apoio da Secretaria Nacional de Direitos LGBTQIA+ e do Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Inclusão e Direitos Humanos. Segundo os organizadores, o questionário é totalmente sigiloso, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados.
Como parte da programação do Janeiro Lilás, as pesquisadoras anunciaram o evento “Vozes Trans em Diálogo Transacestal”, que acontecerá no dia 30 de janeiro, na Casa Arco-Íris da Dialogay, em Aracaju. O encontro reunirá ativistas e representantes da comunidade com o objetivo de ampliar a discussão sobre visibilidade e políticas públicas.
Zaíla encerrou a entrevista destacando a importância da colaboração e da sensibilização social: “Precisamos de mais oportunidades, de aliados e de empatia. Falar de dignidade é falar de toda a sociedade”.