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PMA amplia proteção contra HPV para crianças a partir de 2 anos vítimas de violência sexual

A Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), ampliou a proteção contra o HPV para crianças a partir de dois anos vítimas de violência sexual. A vacinação está disponível nas 45 Unidades de Saúde da Família (USFs) do município e nos serviços de referência da rede. A medida segue as orientações do Ministério da Saúde e integra o atendimento às vítimas de violência sexual, com acolhimento humanizado, sigiloso e livre de julgamentos.

A estratégia contempla vítimas de violência sexual de 2 a 45 anos, conforme as orientações do Ministério da Saúde. Na capital, a oferta do imunizante também está disponível na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes, no Hospital Santa Isabel e no Hospital da Mulher e Maternidade Lourdes Nogueira (HAMA). Para receber a vacina, não é necessário apresentar boletim de ocorrência ou relatório médico.

Caso a vítima já tenha sido atendida em outro serviço de saúde, é recomendável levar à sala de vacinação os documentos disponíveis, para auxiliar na avaliação e no registro do atendimento. A coordenadora de Vigilância em Saúde da SMS, Duanne Marcele, explica que a ampliação da vacinação considera o cenário de violência sexual registrado entre crianças no município.

“Infelizmente, sabemos que a violência sexual também atinge crianças muito pequenas e que existe uma parcela importante de notificações nessa faixa etária. A ampliação da vacinação contra o HPV, para as crianças a partir dos dois anos que foram vítimas de violência sexual, é uma estratégia de proteção e notificação de casos. A medida chega para somar ao atendimento que já é realizado pela nossa rede e garantir que essas crianças tenham acesso ao cuidado necessário”, destacou.

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação/Vigilância de Violências e Acidentes (Sinan/Viva) apontam 702 notificações de violência sexual contra crianças de 0 a 11 anos residentes em Aracaju entre 2015 e 2025. Desse total, 87 notificações envolveram crianças de dois anos e 82, crianças de três anos. As meninas representam a maioria dos registros, com 576 notificações, enquanto os meninos somam 126.

Os registros também apontam que a própria residência aparece como principal local de ocorrência, com casos envolvendo pessoas do círculo de convivência das vítimas, como pais, amigos e conhecidos da família. Entre os bairros com maior número de notificações estão Santa Maria e Santos Dumont.

Para a referência técnica do Núcleo de Prevenção de Violências e Acidentes (Nupeva), Lidiane Gonçalves, os números registrados não representam necessariamente toda a dimensão da violência sexual contra crianças, devido à possibilidade de subnotificação. Nesse contexto, ela ressalta a importância da atuação dos profissionais de saúde na identificação e no registro dos casos.

“Em Aracaju, assim como no cenário nacional, os dados registrados não retratam toda a realidade, devido à subnotificação. Temos um dado preocupante de violência sexual na primeira infância, especialmente entre crianças de zero a seis anos, com uma parcela importante das notificações concentrada entre três e quatro anos”, informou.

Segundo Lidiane, a notificação deve ser realizada sempre que houver atendimento de uma criança ou adolescente vítima de violência sexual, independentemente de o caso já ter sido atendido em outro serviço de saúde. O registro contribui para dar visibilidade ao problema e para a construção de um perfil epidemiológico mais próximo da realidade do município.

“Todo serviço de saúde que atender uma criança vítima de violência sexual deve realizar a notificação. Mesmo que ela já tenha passado por outro serviço, é importante que o atendimento realizado seja registrado. Precisamos de um retrato mais fiel desse perfil epidemiológico para fortalecer as ações de prevenção e proteção”, reforçou.

Rede preparada para acolher

A rede municipal está organizada para identificar, acolher, notificar, encaminhar e acompanhar os casos de violência sexual. A suspeita pode surgir a partir do relato da própria vítima ou de terceiros, como familiares, responsáveis, profissionais da educação e vizinhos, além da identificação de sinais físicos ou comportamentais sugestivos.

Conforme os fluxos de vigilância em saúde, todo caso suspeito ou confirmado de violência sexual contra crianças e adolescentes é de notificação compulsória e exige investigação imediata. A SMS assegura a privacidade e um ambiente seguro para o registro das informações necessárias ao cuidado e à proteção das vítimas.

Imagens anexadas

A coordenadora de Vigilância em Saúde da SMS, Duanne Marcele, destaca que a ampliação da vacinação considera o cenário de violência sexual registrado entre crianças no município

A coordenadora de Vigilância em Saúde da SMS, Duanne Marcele, destaca que a ampliação da vacinação considera o cenário de violência sexual registrado entre crianças no município

Foto ascom SMS

Fonte: Faxaju

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