A construção de cidades acessíveis exige mais do que rampas e adaptações físicas. É necessário planejar espaços, serviços e formas de comunicação que garantam às pessoas com deficiência (PcDs) o direito de circular, participar e viver com autonomia e dignidade. Esses temas foram debatidos durante o painel Inovações Técnicas para Cidades Livres de Barreiras, realizado nesta quinta-feira (15), durante a 81ª Semana Oficial da Engenharia e da Agronomia (SOEA), no Centro de Convenções AM Malls.
Ao representar a capital sergipana no debate, Camilla Feitosa apresentou iniciativas desenvolvidas pela Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Semdef), e destacou a importância da atuação conjunta entre os órgãos públicos para identificar e superar barreiras físicas, comunicacionais e atitudinais.
“A acessibilidade precisa ser considerada desde o planejamento das políticas públicas, passando pela execução de obras e pela organização do transporte, até o atendimento à população e a realização de eventos. Uma cidade verdadeiramente acessível é aquela em que a pessoa com deficiência consegue sair de casa, chegar ao destino e retornar com segurança e autonomia. Esse é o nosso compromisso: ver a cidade cada dia mais acessível”, ressaltou Camilla.
Experiências de Aracaju
Durante a apresentação, Camilla destacou ações municipais que buscam ampliar a participação das pessoas com deficiência em diferentes áreas. Na cultura e no lazer, citou o Camarote da Acessibilidade, presente em grandes eventos da capital, e o projeto Banho de Mar Assistido, que amplia o acesso à praia e ao lazer.
No esporte, destacou a parceria entre a Semdef e a Secretaria Municipal da Juventude e do Esporte (Sejesp) na realização da Mostra de Esportes para Pessoas com Deficiência, que reuniu modalidades adaptadas e ampliou a visibilidade do paradesporto na capital.
Outra iniciativa mencionada foi a ação Acessibilidade em Movimento, desenvolvida em parceria com a Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT). A iniciativa promove a conscientização sobre mobilidade urbana, segurança nas travessias e respeito aos recursos de acessibilidade, reforçando o direito de ir e vir das pessoas com deficiência, inclusive no uso do transporte coletivo.
Acessibilidade para todos
A secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Rodrigues, que tem baixa visão, avaliou que a apresentação de Camilla trouxe um diagnóstico importante das ações realizadas em Aracaju. Ela também parabenizou o município pela adesão ao programa federal Viver sem Limites e pelo retorno das atividades do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Aracaju (CMDPcD).
“Temos que focar em todas as deficiências, e não somente na minha. Sabemos que, mesmo entre pessoas com a mesma deficiência, as necessidades podem ser diferentes, inclusive de acordo com o local onde vivem e as condições da estrutura disponível. Quem mora em Brasília tem problemas diferentes dos enfrentados pela população ribeirinha. Por isso, temos que pensar na acessibilidade para todos e em todas as áreas.
A acessibilidade não pode ser considerada apenas no final da obra. É preciso acompanhar todo o processo, do início ao fim da construção. Hoje, a tecnologia tem nos ajudado muito. Com a chegada da inteligência artificial, podemos utilizar ferramentas que ajudem as pessoas a circular por ambientes com mais segurança”, enfatizou Isadora.
Presenças
Participaram do painel a secretária nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Isadora Rodrigues; a secretária municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência de Aracaju, Camilla Feitosa; a presidente da Associação Brasileira de Autismo (ABRA), Maria do Carmo Tourinho; o representante do Confea no Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade), Daniel Faganello; e o presidente do Crea-SC, Carlos Alberto Kita Xavier, que atuou como moderador.
Fonte: AJN1