Por Barroso Guimarães
Professor Evanilson Tavares de França, idealizador do projeto Alma Africana, foi entrevistado pelo jornalista Barroso Guimarães no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM, e destacou a trajetória de duas décadas dessa iniciativa que se consolidou como referência em educação antirracista em Sergipe.
Criado em 2005 na Escola Estadual Benedito Oliveira, em Aracaju, o projeto nasceu a partir da união de quatro professores e, hoje, é coordenado por uma equipe multidisciplinar no Centro de Excelência Nelson Mandela, antiga Escola Presidente Médici. Com o lema “Alma Africana: reconhecendo as diferenças e esperançando a equidade”, o programa desenvolve 13 ações estratégicas ao longo do ano letivo, incluindo rodas de conversa, trabalhos em comunidades quilombolas, produções teatrais e atividades de reflexão sobre a cultura e a resistência negra.
Segundo o professor Evanilson, a proposta vai além da sala de aula e busca formar cidadãos conscientes, combatendo o racismo estrutural ainda presente na sociedade e no currículo escolar brasileiro. “Nós não temos o direito de arrefecer a luta, porque muitos tombaram para que estivéssemos aqui hoje”, destacou. Ele lembrou que a história do país ainda deve reparação ao povo negro, que foi escravizado por mais tempo no Brasil do que em qualquer outra nação, e ressaltou o papel de movimentos sociais e quilombolas na conquista de direitos.
Ao longo dos 20 anos, o Alma Africana coleciona histórias de transformação e afirmação identitária de estudantes, além de prêmios importantes. Em 2024, o projeto recebeu o Selo ODS Educação, sendo a única escola pública do Nordeste contemplada, e o prêmio Educar com Equidade Racial e de Gênero, concedido pelo CEERTE, reconhecimento inédito para uma escola pública de ensino médio em todo o país.
Nesta sexta-feira, 3 de outubro, o público poderá acompanhar mais uma ação do projeto em Aracaju, com duas rodas de conversa no Centro de Excelência Nelson Mandela. As discussões vão abordar “Racismo Ambiental e Decolonialidade”, relacionando saberes ancestrais à preservação da vida. O primeiro encontro está marcado para as 13h e o segundo às 15h30.
Com dinamismo e envolvimento da comunidade, o projeto reafirma sua missão: valorizar a cultura afro-brasileira, educar para o respeito às diferenças e formar gerações mais conscientes e plurais.