A declaração do Imposto de Renda 2026 trouxe mudanças importantes que já mobilizam milhões de brasileiros e exigem ainda mais atenção dos contribuintes. Entre as principais novidades estão a digitalização total dos recibos médicos, a inclusão de campos específicos para movimentações com apostas online, a possibilidade de uso do nome social e as novas discussões sobre a faixa de isenção para rendimentos de até R$ 5 mil.
Em entrevista ao programa Hora da Notícia, o contador Eduardo Mendonça, membro da Academia Sergipana de Ciências Contábeis e pós-graduado em Controladoria e Finanças, destacou que as alterações acompanham as novas realidades econômicas e sociais do país.
Segundo ele, a inclusão do nome social representa um avanço importante na garantia da dignidade e do respeito à identidade dos contribuintes. Já em relação às apostas online, as chamadas bets, a Receita Federal passou a intensificar o controle sobre a origem e a movimentação dos recursos investidos.
“O controle não está relacionado apenas ao lucro ou prejuízo, mas principalmente à origem do dinheiro utilizado nas apostas. A Receita quer saber se a movimentação financeira é compatível com a renda declarada”, explicou.
Eduardo Mendonça alertou que os ganhos obtidos em apostas também estão sujeitos à tributação, podendo chegar à alíquota máxima de 27,5%, conforme a tabela progressiva do Imposto de Renda.
Outro ponto destacado foi o crescimento dos investimentos financeiros entre os brasileiros. De acordo com o contador, aplicações superiores a R$ 40 mil também precisam ser declaradas, ainda que isso não signifique, necessariamente, cobrança de imposto.
O especialista também chamou a atenção para a fiscalização sobre rendimentos com aluguel de imóveis, incluindo locações por temporada realizadas por plataformas como o Airbnb.
Segundo ele, tanto o locador quanto a imobiliária ou plataforma responsável pela intermediação têm obrigação de informar os valores à Receita.
“Os rendimentos com aluguel estão na mira do leão este ano. O cruzamento de informações está cada vez mais rigoroso”, afirmou.
A entrevista também abordou a nova faixa de isenção para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. Apesar de a medida já ter sido anunciada, Eduardo esclareceu que ela terá reflexo prático apenas na declaração de 2027, referente ao ano-base 2026.
“É importante que o contribuinte entenda que a declaração feita agora ainda considera os rendimentos do ano anterior. Portanto, quem se enquadra nessa faixa ainda precisa observar as regras atuais”, ressaltou.
Mesmo quem recebe abaixo do limite de isenção pode estar obrigado a declarar em situações específicas, como participação societária em empresas, registro como Microempreendedor Individual (MEI), aquisição de bens, evolução patrimonial ou recebimento de rendimentos isentos acima do teto estabelecido.
O contador também reforçou a necessidade de atenção à declaração pré-preenchida disponibilizada pelo sistema Gov.br. Segundo ele, embora a ferramenta facilite o processo, a responsabilidade final pelas informações continua sendo do contribuinte.
“A declaração pré-preenchida ajuda bastante, mas não é garantia de que todos os dados estejam corretos. É fundamental conferir despesas médicas, rendimentos e demais informações antes do envio”, alertou.
Uma das principais mudanças deste ano é a digitalização integral dos recibos médicos. Agora, os comprovantes emitidos por profissionais e instituições de saúde passam a ser registrados diretamente em sistema integrado do governo, permitindo o cruzamento automático de dados e reduzindo tentativas de fraude.
A Receita Federal também ampliou a fiscalização com o uso de inteligência artificial, tornando mais rápido o processo de análise das declarações e diminuindo as chances de omissões passarem despercebidas.
Especialistas recomendam que os contribuintes mantenham organização financeira ao longo do ano, reservando recursos para eventual pagamento de imposto e evitando problemas futuros com multas e autuações.