Por Barroso Guimarães
O advogado tributarista Cleverson Chevel concedeu entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa “A Hora da Notícia”, da Rádio Aperipê FM 106,1, para explicar os principais pontos da reforma tributária e os impactos que já começam a ser sentidos em 2026.
Durante a conversa, Cleverson destacou que o novo sistema busca tornar a cobrança de impostos mais justa, priorizando a taxação sobre a renda em vez do consumo, que atinge igualmente ricos e pobres. Segundo ele, “a grande meta da reforma é promover justiça fiscal e corrigir distorções históricas do sistema brasileiro”.
O especialista lembrou que a reforma unifica tributos como ICMS, PIS e COFINS em dois novos impostos — o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e o CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) —, padronizando alíquotas em todo o país e reduzindo disputas fiscais entre estados. “Antes, empresários escolhiam estados com isenções maiores, como Bahia ou Pernambuco. Agora haverá neutralidade tributária, com regras iguais para todo o Brasil”, explicou.
Cleverson também alertou para mudanças que afetam pessoas físicas e profissionais liberais. A partir de julho de 2026, cidadãos com rendimentos altos provenientes de aluguel ou prestação de serviços deverão possuir CNPJ próprio para recolher tributos diretamente. “Quem recebe mais de R$ 240 mil anuais em aluguéis e tem mais de três imóveis locados será considerado contribuinte do IBS e CBS”, afirmou.
Em relação aos profissionais liberais — como advogados, médicos e engenheiros —, o advogado destacou que quem tem renda superior a metade do limite do MEI (R$ 41 mil anuais) também passa a ser obrigado a emitir CNPJ e recolher tributos. Ele classificou o ano de 2026 como um “ano-teste”, quando as empresas e contribuintes irão apenas declarar as operações, sem recolher integralmente os novos impostos. A cobrança total começará em 2027, com transição completa até 2029.
Segundo Cleverson Chevel, a reforma também prevê mecanismos de cashback para famílias de baixa renda e isenção de produtos da cesta básica nacional, o que deverá reduzir desigualdades e incentivar o consumo. Ele concluiu alertando contribuintes e empreendedores sobre a importância de conhecer as novas regras para evitar penalidades fiscais durante o período de adaptação.