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Super 4ª: Com Copom e Fed em direções opostas, o que esperar para mercado brasileiro?

A Super Quarta desta semana coloca investidores diante de uma combinação pouco usual: o Banco Central do Brasil deve iniciar um novo ciclo de afrouxamento monetário, enquanto o Federal Reserve caminha para elevar os juros pela primeira vez desde 2023. O contraste entre as duas decisões deve estar entre os principais catalisadores para os mercados brasileiros nos próximos dias.

A expectativa predominante é de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, enquanto o Fed promova uma alta de igual magnitude, levando os Fed Funds para a faixa de 3,75% a 4,00%. A divergência entre os ciclos monetários tende a gerar impactos distintos sobre Bolsa, dólar e curva de juros.

Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o mercado já precifica amplamente ambos os movimentos. O foco dos investidores, portanto, estará menos na decisão em si e mais nos comunicados e sinalizações para os próximos encontros.

Cenário base: Copom corta e Fed sobe 0,25 ponto

Este é o cenário considerado mais provável pelo mercado.

Nesse caso, a reação dos ativos brasileiros tende a depender do tom adotado pelas autoridades. Um Fed que eleve juros, mas sinalize um ritmo gradual de novas altas, pode limitar a pressão sobre ativos emergentes. Já um Copom que mantenha a porta aberta para novos cortes em 2027 reforçaria a percepção de que a política monetária brasileira entrou em trajetória de flexibilização.

A combinação costuma ser favorável para ações domésticas mais sensíveis aos juros, especialmente varejo, construção civil, shoppings, utilities e empresas de infraestrutura.

Ainda assim, a dinâmica internacional continua sendo relevante. Segundo análise da Bloomberg, muitos gestores seguem construtivos para emergentes porque o dólar não tem apresentado uma valorização significativa, mesmo com os rendimentos dos Treasuries em máximas de vários anos. Além disso, países que mantêm juros elevados, como o Brasil, continuam atraindo fluxos de carry trade.

Cenário positivo: Fed sobe, mas adota tom mais brando

Um dos cenários mais favoráveis para os ativos brasileiros seria uma alta de 0,25 ponto acompanhada de um discurso menos agressivo por parte do presidente do Fed, Kevin Warsh.

Nesse caso, investidores poderiam interpretar que o aperto monetário americano está próximo do fim. O resultado provável seria um alívio nos rendimentos dos Treasuries, valorização das moedas emergentes e melhora do apetite por risco.

O real poderia se fortalecer frente ao dólar, enquanto o Ibovespa teria espaço para aprofundar a recente recuperação, especialmente em ações ligadas ao mercado doméstico e às chamadas “bond proxies”, companhias que se beneficiam de uma queda das taxas de juros de longo prazo.

A avaliação é reforçada pelo fato de que boa parte do mercado já precifica cerca de 90% de probabilidade de uma alta nesta reunião, segundo Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury. Isso reduz o potencial de surpresa na decisão e desloca a atenção para o comunicado.

Cenário negativo: Fed mais duro e juros americanos seguem para cima

O principal risco para os mercados está em uma postura mais agressiva do banco central americano.

Embora a expectativa seja de uma única alta nesta reunião, investidores monitoram a possibilidade de o Fed indicar novas elevações em 2026 e 2027, especialmente após a inflação americana de agosto ter vindo acima das expectativas e o petróleo ter ultrapassado novamente os US$ 100 por barril.

Segundo Matthew Ryan, o núcleo da inflação mostrou persistência maior que a esperada, reforçando os argumentos dos dirigentes favoráveis a juros mais altos.

Nesse ambiente, os rendimentos dos Treasuries poderiam continuar avançando, fortalecendo o dólar globalmente e ampliando a pressão sobre moedas e bolsas emergentes.

Para o estrategista Luis Costa, do Citi, o maior risco para mercados emergentes seria justamente a percepção de que o Fed pode precisar elevar os juros muito mais do que o esperado. Nesse cenário, moedas emergentes tenderiam a sofrer mais intensamente.

Para o Brasil, isso poderia significar alta do dólar, abertura da curva de juros futuros e realização de lucros no mercado acionário, especialmente nos setores mais sensíveis ao custo de capital.

E se o Copom surpreender?

No Brasil, a margem para surpresa parece menor.

Uma manutenção da Selic seria vista como um choque hawkish (duro, de preocupação com a inflação) e provavelmente provocaria queda das ações ligadas à economia doméstica, além de pressionar os juros futuros para baixo apenas nos vértices mais curtos da curva.

Já um corte de 0,50 ponto percentual é considerado improvável, mas seria recebido positivamente pela Bolsa no curto prazo. Ainda assim, a depender das justificativas e de sinalizações, parte dos investidores poderia interpretar o movimento como excessivamente agressivo diante das incertezas externas e do cenário fiscal, gerando estresse para o mercado brasileiro.

O que muda?

Apesar da expectativa de início de um ciclo de cortes no Brasil, a Oryx Capital avalia que ainda não é o momento para mudanças radicais de portfólio.

Segundo a gestora, os juros seguem elevados o suficiente para manter aplicações pós-fixadas atrativas. A recomendação é de uma migração gradual, e não uma troca abrupta da renda fixa por ativos de risco.

A casa também destaca que títulos atrelados à inflação e ativos de infraestrutura podem ganhar espaço conforme a trajetória de queda dos juros se consolide, mas defende uma implementação escalonada das posições.

Fonte: AJN1

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