Ter um melhor amigo no trabalho pode elevar em até sete vezes o engajamento profissional e reduzir significativamente o risco de burnout, segundo levantamento global do instituto Gallup. O dado reforça a importância do chamado “Work Bestie”, termo que define o colega de confiança no ambiente corporativo e que vem ganhando espaço como estratégia de gestão de pessoas.
De acordo com o estudo, em um cenário marcado por pressão por resultados e incertezas, vínculos de confiança no trabalho funcionam como fator de proteção contra estresse, isolamento e alta rotatividade. A tendência também é respaldada por pesquisa do instituto BetterUp, que aponta aumento de até 158% nos níveis de estresse e ansiedade entre profissionais que se sentem desconectados de seus colegas. Além disso, esses trabalhadores são 109% mais propensos a desenvolver burnout e relatam crescimento de 77% no estresse diário.
Para Fernando Cardoso, coordenador da graduação em Gestão de RH da Uniasselvi, o fenômeno deixou de ser apenas uma afinidade espontânea para assumir papel estratégico nas organizações. “O salário e os benefícios atraem o talento, mas são as relações saudáveis e o senso de pertencimento que o mantém na empresa. O ‘work bestie’ é alguém com quem o trabalhador compartilha desafios, celebra conquistas e encontra suporte em momentos de pressão. Não necessariamente é um amigo íntimo fora da empresa, mas é uma referência de confiança dentro do ambiente organizacional”, afirma.
Segundo o especialista, a segurança psicológica proporcionada por esses vínculos é um dos principais fatores de bem-estar nas equipes, especialmente entre Millennials e a Geração Z, que valorizam o ambiente de trabalho tanto quanto a remuneração. “Esse tipo de vínculo contribui para criar ambientes mais colaborativos, humanos e resilientes. Em mercados cada vez mais competitivos, empresas que favorecem relações interpessoais positivas tendem a apresentar melhores indicadores de clima organizacional, engajamento e retenção. Organizações que antes valorizavam apenas resultados passaram a reconhecer que relações interpessoais saudáveis são fundamentais para sustentar desempenho no longo prazo”, destaca.
Nos modelos híbridos e remotos, o desafio se intensifica. A distância física reduz interações espontâneas e pode ampliar a sensação de desconexão entre equipes. “O desafio das organizações é criar oportunidades para que essas relações surjam naturalmente, já que o ambiente virtual reduz momentos informais, como conversas no café ou encontros presenciais. O risco é formar equipes tecnicamente conectadas, mas emocionalmente distantes. Por isso, muitas empresas vêm repensando seus modelos de gestão para equilibrar flexibilidade e oportunidades de interação humana significativa”, explica Cardoso.
Apesar dos benefícios, especialistas alertam para a necessidade de limites. Relações próximas não devem comprometer a imparcialidade nem gerar privilégios dentro das empresas. “Amizades fortalecem a cultura organizacional, mas não podem comprometer a imparcialidade profissional. O principal limite é garantir que a relação não gere privilégios, exclusões ou prejudique a tomada de decisões objetivas. Amizades entre líderes e subordinados podem existir, mas exigem maturidade e elevado profissionalismo”, pontua.
Outro risco apontado é a formação de grupos fechados, que dificultam a integração de novos colaboradores. “As organizações podem estimular relações saudáveis criando ambientes de confiança, promovendo projetos colaborativos, mentorias, espaços de convivência e momentos informais voluntários. A liderança também exerce papel central ao estimular respeito, escuta ativa e cooperação entre equipes. Mas é preciso lembrar que nenhuma dinâmica obrigatória cria amizade verdadeira. Conexões genuínas nascem da convivência e da confiança. Por isso, o mais importante para as empresas é construir uma cultura onde as pessoas sintam-se seguras para serem autênticas. Laços genuínos surgem naturalmente quando existe confiança, propósito compartilhado e experiências positivas no cotidiano de trabalho”, conclui o coordenador da Uniasselvi.
*Com informações Assessoria de Imprensa
Fonte: AJN1