Universidade Federal promove Semana da Pessoa Idosa com foco em inclusão

Às vésperas do dia nacional do idoso, celebrado no dia 1º de outubro, a Universidade Federal de Sergipe deu início, na última quarta-feira, 30, à Semana da Pessoa Idosa, promovida pelo Núcleo de Pesquisa e Ações da Terceira Idade (Nupati/UFS), em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos e Proteção da Pessoa Idosa (CMDPI) e a Secretaria de Assistência Social de São Cristóvão. No primeiro dia, a abertura do evento marcou o início das celebrações com atividades corporais, musicoterapias e uma roda de conversa com o objetivo de refletir sobre “Os Sentidos do Envelhecer”, ministrada pelo profº Neilson Meneses.

Durante o primeiro dia, os beneficiados pelo núcleo puderam desfrutar de algumas das atividades promovidas pela iniciativa e trocaram relatos sobre as diferentes fases do processo de envelhecimento. Participante do Nupatii desde 2018, a aposentada Flora Babec afirma que o núcleo possibilita o desenvolvimento do intelecto de maneiras distintas. Ela reforça também o privilégio de poder interagir com pessoas de diferentes faixas etárias.

“O Nupati, pra mim, foi uma coisa boa que surgiu na minha vida depois dos meus 60 anos. E foi através do Nupati que se abriram várias portas, não só aqui na universidade, mas em outros locais também – tudo começou por ali. É aquela alegria de vir para a universidade, mesmo eu não estando fazendo graduação, mas disciplinas isoladas, isso já me dá um contentamento. Encontrei uma turma de jovens que me abraçaram. Tenho colegas de todas as idades, alguns podem até ser meus netos, e faço amizade com eles do mesmo jeito”, afirma.

Já na quinta-feira, 01, Dia Nacional do Idoso, a cerimônia de abertura, realizada no Auditório da Reitoria, trouxe uma palestras com o tema “Envelhecer com Direitos”, ministrada pela profª Vera Núbia Santos, além de rodas de diálogo e apresentações das ações do Nupati, e da cartilha “Viver Bem, Envelhecer com Saúde”, que mostra como a Universidade articula saberes acadêmicos e o poder público local com o objetivo de promover a qualidade de vida e cidadania ativa à população idosa.

Atualmente, o Núcleo da Terceira idade reúne ações e iniciativas dentro do tripé da Universidade, que envolvem aprendizado, pesquisa e extensão. Dentro do ensino, o NUPATI está acoplado à Universidade Aberta à Terceira Idade (UNATI), um programa de extensão universitária voltado à promoção do envelhecimento ativo, da cidadania e da inclusão social de pessoas com 60 anos ou mais.

De acordo com a coordenadora do Nupati/UFS, Liliádia Barreto, atualmente, esse programa possui 158 alunos matriculados em diversas disciplinas de graduação. Ela reforça que a comunidade acadêmica pode contribuir de várias formas, a partir de projetos abertos para estagiários dentro da graduação, com campo de formação em diversas áreas. Também são ofertados cursos de especialização, conforme a programação de cada período, e um projeto de observatório temático, que inclui alunos de graduação e pós-graduação interagindo com os alunos da terceira idade.

“O núcleo faz a matrícula semestral para os interessados, e a exigência para participar é ter 60 anos ou mais e ter completado o segundo grau, já que eles cursam disciplinas dos cursos de graduação. Além desse projeto, que insere o aluno idoso dentro do ensino de graduação, temos outros projetos que funcionam ao longo do semestre — de alongamento, tecnologias, culinária, memórias. A cada semestre, vamos oferecendo novos projetos, que são desenvolvidos ao longo do período. Para esses projetos de extensão, não há obrigatoriedade de ter 60 anos, mas é preciso estar nesse processo de compreender o que é o envelhecimento”, destaca.

“Temos também atividades e eventos como o de hoje, que é a abertura da Semana Internacional da Pessoa Idosa. Um mês inteiro de programação. Trabalhamos dentro da proposta de envelhecer juntos, viver de forma intergeracional, aprender, pesquisar e desenvolver ações claramente voltadas para a população”, completou.

Desde 2013, Ilza Araújo de 78 anos, é beneficiada pelas atividades da Nupati e já percebe uma diferença no seu estilo de vida. “A gente aprende que envelhecer não é por dentro, é só o rosto que vai ficando enrugado, mas até isso a gente dá um jeito. Espiritualmente, temos um acompanhamento muito bom, que nos eleva, e aqui ninguém fica velho. Na minha vida pessoal, com a família, eu já observo mudanças. Tenho um filho de 61 anos até ‘mais velho’ do que eu, de tão jovem que eu me sinto”, afirma.

Jaci Araújo de 62 anos, descobriu com o Nupati que as novas tecnologias e as dinâmicas de conhecimentos são importantes aliadas no combate ao etarismo. “Quando eu descobri que esse núcleo existia aqui, ele mudou minha vida. O mais importante que eu encontrei aqui foi isso: hoje estamos inseridos em salas de aula onde você, com 62, 70, 80 anos, está entre jovens de 20, 25, tudo num patamar de igualdade. Claro que cada um dentro da sua faixa, mas o conhecimento ficou misturado, e isso foi maravilhoso. Estou muito feliz por fazer parte disso e dou meus parabéns à Universidade Federal por essa iniciativa”, destaca.

Giulia Meneses – Ascom UFS

Fonte: Faxaju

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