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(FIBROMIALGIA) Estudo com mais de 2,5 milhões de pessoas identifica 26 variantes genéticas associadas à doença

Um estudo publicado recentemente na revista científica Nature Medicine amplia o conhecimento sobre as possíveis bases genéticas da fibromialgia. Pesquisadores analisaram dados de 2.563.755 indivíduos, entre eles 54.629 pessoas com fibromialgia, reunidos em 11 grupos de diferentes ancestralidades. A pesquisa identificou 26 variantes genéticas associadas à doença e encontrou evidências de que sua hereditariedade está relacionada principalmente a tecidos e tipos celulares do sistema nervoso. Os resultados reforçam a compreensão da fibromialgia como uma condição complexa, com importante participação de mecanismos do sistema nervoso central.

A fibromialgia é uma condição de saúde caracterizada por dor musculoesquelética crônica e generalizada, frequentemente acompanhada de fadiga, sono não reparador, alterações cognitivas e outros sintomas. A doença também pode estar associada a condições como síndrome do intestino irritável, síndrome da fadiga crônica e transtornos neuropsiquiátricos e metabólicos.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, a condição afeta cerca de 2% a 3% da população brasileira, com maior prevalência entre mulheres de 30 a 50 anos. Considerada uma síndrome de dor nociplástica  (causada por uma alteração na forma como o sistema nervoso processa os sinais dolorosos), a fibromialgia está relacionada a uma maior sensibilidade do sistema nervoso central, que pode intensificar a percepção dos estímulos. Esse processo pode levar à hiperalgesia (resposta exagerada a estímulos que normalmente provocariam dor) e à alodinia (percepção dolorosa diante de estímulos que normalmente não causariam dor). O estudo publicado na Nature Medicine também identificou forte correlação genética da fibromialgia com diferentes condições de dor crônica, além de transtornos psiquiátricos e somáticos.

Causas e diagnóstico

As causas exatas da fibromialgia ainda não estão totalmente esclarecidas. Fatores genéticos, traumas físicos ou emocionais, infecções virais e outras condições de saúde podem estar relacionados ao desenvolvimento da doença.

Para o Dr. Maurício Leite, ortopedista, cirurgião de mão e punho, o diagnóstico é clínico. “O diagnóstico da fibromialgia é totalmente clínico. Para que seja feito o paciente precisa apresentar alguns sintomas como dor generalizada, indisposição, fadiga, ansiedade e dificuldades para dormir“, afirma.

O especialista explica que exames podem ser utilizados para descartar outras doenças que apresentam sintomas semelhantes. “Utilizamos alguns exames de exclusão, já que os sintomas da fibromialgia podem se confundir com os de doenças reumatológicas, a exemplo da artrite reumatoide. Nesses casos, costumo solicitar exames relacionados ao reumatismo; se os resultados forem negativos, o diagnóstico de fibromialgia é confirmado. Mas não há um exame 100% específico para diagnosticar a doença”, reitera.

Tratamento e qualidade de vida

Embora a fibromialgia não tenha cura, o tratamento pode ajudar a controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida. A abordagem costuma envolver diferentes estratégias, como atividade física regular, alimentação equilibrada, sono adequado e acompanhamento médico. Dependendo do quadro, medicamentos e outros recursos terapêuticos podem ser indicados.

O acompanhamento psicológico também pode contribuir para o manejo dos impactos emocionais associados à dor crônica. O diagnóstico e o acompanhamento médico são fundamentais para identificar os sintomas, descartar outras condições e estabelecer uma estratégia individualizada de tratamento. O novo estudo acrescenta uma importante evidência ao conhecimento científico sobre a doença ao apontar uma base genética associada a mecanismos do sistema nervoso central.

Fonte: AJN1

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