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Brasil encerra Mundial de Vôlei Feminino Sub-17 em 17º lugar

São 11 anos sem qualquer título nas categorias de base no vôlei – e o último troféu veio num Mundial já extinto, o sub-23 feminino, que teve apenas três edições até 2017. A taça conquistada pelas brasileiras em 2015, num time com Rosamaria, Drussyla, Lorenne e a MVP Juma, foi a 21ª obtida pelo Brasil em 93 Mundiais de base até hoje. Desde então, além da ausência no alto do pódio, o país acumulou resultados negativos e teve poucos talentos sobressaindo depois. O último revés veio com a seleção feminina sub-17, que encerrou o Mundial do Chile em 17º lugar, a segunda pior classificação da base brasileira. No sábado (15), o Brasil venceu a Espanha por 3 sets a 1 (24/26, 25/23, 27/25 e 25/16), em Santiago, no Chile, encerrando a competição com quatro vitórias e quatro derrotas.

O vôlei tem Campeonatos Mundiais em três categorias na base: sub-17 (está na segunda edição), sub-19 (19 edições) e sub-21 (23 edições). No sub-23, foram realizados apenas três torneios (2013, 2015 e 2017). O Brasil é o único país a ter disputado todas as 93 competições organizadas até agora – o sub-17 masculino ocorrerá de 19 a 29 de agosto, em Doha, com participação brasileira.

Até hoje, foram 21 ouros da seleção verde-amarela em 93 Mundiais de base. Ou seja, o Brasil saiu campeão em quase um quarto dos torneios. Mas não sai mais.

O jejum de conquistas na base vem acompanhado de um momento de instabilidade das seleções adultas. No masculino, apesar de um bronze na Liga das Nações do ano passado, a equipe de Bernardinho fez campanhas ruins nas Olimpíadas de Paris, no Mundial de 2025 e na VNL de 2026. O time feminino, por outro lado, é presença frequente no pódio de grandes competições, mas não conquista um ouro intercontinental há quase 10 anos, desde o Grand Prix de 2017.

Apesar de tudo, ainda existe domínio

Mesmo com o momento ruim, há duas categorias em que brasileiras e brasileiros ainda são os maiores vencedores. No sub-21 feminino, a seleção faturou seis ouros e teve escolhidas Ana Moser (1987), Erika (1999), Jaqueline (2001) e Natália (2007) como melhores jogadoras. Mas não levanta o troféu desde 2007. A seleção sub-21 – com a ponteira Helena, que está na equipe principal – foi bronze na última edição do Mundial, em 2025. Outra categoria em que prevalece a hegemonia brasileira é a sub-19 masculina, também seis vezes campeã do mundo, tendo Giba como MVP em 1993. O último dos seis títulos, porém, foi em 2003. E o time vem do pior resultado, com a 10ª colocação do ano passado.

No sub-19 feminino e no sub-21 masculino, o Brasil é o segundo país com mais troféus, mas também vive jejuns. Entre as meninas até 19 anos, são três conquistas – a última em 2009. Nos três títulos, o Brasil ainda teve as melhores jogadoras: Erika (1997), Natália (2005) e Samara (2009). A China tem quatro outros nessa categoria. No sub-21 masculino, foram quatro taças – a última em 2009 – e quatro MVPs: Giba (1995), Thiago Alves (2005), Deivid Costa (2007) e Maurício Borges (2009). A Rússia soma seis ouros entre os homens até 21 anos. O 18º lugar no último Mundial Sub-21 masculino, ano passado, é a pior classificação brasileira.

Campeão mundial sub-19 em 1991, sub-21 em 1993 e adulto em 2002, o hoje comentarista Nalbert disse acreditar que os resultados na seleção principal ocorrem porque a base foi mal trabalhada. Em entrevista ao Abre Aspas, do ge, ele opinou o que precisa ser feito.

“Quando o Brasil ganhava no adulto, eu já falava que estava perdendo na base. Gente, vamos cuidar da base, tem alguma coisa errada, não é normal o Brasil chegar em 17º lugar. Não pode o último título mundial ter sido em 2009 em uma categoria, em 2003 na outra”, disse Nalbert, citando os últimos ouros masculinos no sub-21 e no sub-19. “Os resultados do adulto estavam acontecendo, então o pessoal fazia vista grossa. Não fui engenheiro de obra pronta, estou avisando há, no mínimo, dez anos. Está diagnosticado. Precisamos de gestores, gente competente na base, para cuidar dessa cadeia e fazer com que os jogadores sejam mais bem formados. Vôlei é o segundo esporte do Brasil, temos vários grandes patrocínios. Será que o dinheiro não está sendo colocado da forma errada? Será que não é a formação errada de treinadores e técnicos?”. Essa reflexão, esse debate, deveria estar ocorrendo há muito tempo.

 

Fonte: AJN1

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