Vereador concedeu entrevista ao jornalista Barroso Guimarães no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106.1, e abordou temas como transporte público, denúncias na Prefeitura de Aracaju, emendas parlamentares e relação entre Executivo e Legislativo.
O vereador Camilo Daniel voltou a defender a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o sistema de transporte coletivo de Aracaju. Durante entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106.1, o parlamentar afirmou que o setor enfrenta uma crise histórica e que é preciso “abrir a caixa-preta” do transporte público da capital.

Segundo Camilo Daniel, a cidade acumula mais de duas décadas de atraso na realização da licitação definitiva do transporte coletivo. Ele destacou que a expansão urbana de Aracaju não foi acompanhada pela ampliação das linhas de ônibus, o que tem prejudicado moradores de diversos bairros, como Lamarão, Santa Maria, 17 de Março, Jardim Centenário e Zona de Expansão.
O vereador também criticou o volume de recursos públicos destinados ao sistema. De acordo com ele, a Prefeitura de Aracaju concede cerca de R$ 70 milhões em subsídios às empresas de transporte, enquanto o Governo de Sergipe oferece incentivos fiscais ao setor. Para o parlamentar, mesmo com esses investimentos, a população continua enfrentando ônibus sucateados, constantes quebras de veículos e deficiência na prestação do serviço.

Durante a entrevista, Camilo Daniel demonstrou preocupação com a situação financeira de empresas que operam o transporte coletivo e lembrou os casos das antigas empresas VCA e Progresso. Na avaliação do vereador, a situação atual da empresa Modelo pode repetir problemas registrados no passado, principalmente em relação aos direitos trabalhistas dos funcionários.
Ao comentar as recentes denúncias envolvendo a administração da prefeita Emília Corrêa, Camilo afirmou que a Prefeitura demorou a adotar providências diante das suspeitas envolvendo um servidor municipal investigado. Para ele, a Controladoria-Geral do Município deveria ter instaurado imediatamente uma auditoria interna, antes mesmo da exoneração do servidor.
Questionado sobre pedidos de afastamento da secretária municipal da Educação, Edna Amorim, o vereador disse que defende o direito à presunção de inocência, mas considera fundamental que a gestora compareça à Câmara Municipal para prestar esclarecimentos. Segundo ele, a transparência é indispensável quando há questionamentos sobre a aplicação de recursos públicos.
Camilo Daniel também avaliou que a prefeita estaria sendo mal assessorada. Segundo o parlamentar, a própria declaração da gestora de que tomou conhecimento de determinados fatos por meio da imprensa demonstra falhas na comunicação interna da administração municipal.
Na entrevista, o vereador ainda comentou denúncias apresentadas por parlamentares envolvendo a administração municipal, citando casos relacionados à gestão da previdência do município e outras investigações divulgadas pela imprensa. Para Camilo, a sucessão de episódios contribui para a instalação de uma crise administrativa e moral no governo, embora ressalte que a prefeita ainda tem tempo para corrigir os problemas apontados.
Outro tema abordado foi a execução das emendas impositivas dos vereadores. O parlamentar afirmou que ainda possui emendas de anos anteriores pendentes de pagamento e criticou a demora na liberação dos recursos. Segundo ele, a cobrança não representa um interesse pessoal, mas o cumprimento de compromissos assumidos com comunidades que aguardam investimentos previstos no orçamento municipal.
Ao longo da entrevista, Camilo Daniel reafirmou que o papel da oposição é fiscalizar a aplicação do dinheiro público e contribuir para que a administração municipal corrija eventuais irregularidades, defendendo maior transparência e eficiência na gestão pública.
Fotos: Luiz Fernando