Por Barroso Guimarães
Vigilância Sanitária de Sergipe faz alerta urgente sobre os riscos das chamadas “canetas emagrecedoras” ilegais, popularizadas nas redes sociais com promessas de emagrecimento rápido e fácil.
Em entrevista ao programa “A Hora da Notícia”, da Aperipê FM 106,1, apresentado pelo jornalista Barroso Guimarães, a gerente de medicamentos da Vigilância Sanitária Estadual, Fabiana Carvalho, esclareceu os perigos desses produtos, muitos dos quais chegam ao Brasil de forma clandestina, especialmente do Paraguai, sem registro na Anvisa, representando um grave risco à saúde pública.
Fabiana destacou que os agonistas do receptor GLP-1, substâncias presentes nessas canetas injetáveis, têm eficácia terapêutica comprovada cientificamente para tratamento de obesidade e diabetes tipo 2, com opções legalizadas no Brasil como a tirzepatida, aprovada para comercialização em farmácias habilitadas.
A Anvisa tem emitido normativas rigorosas, como a RDC nº 973/2025, que regulamenta produção, propaganda, transporte e dispensação, exigindo prescrição médica em duas vias, retenção de receita nas farmácias, validade de 90 dias e registro no Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC). No entanto, o grande problema surge com os produtos piratas e indiscriminados, impulsionados pela “modinha” das redes sociais, onde usuários copiam receitas de colegas sem considerar diferenças individuais de organismo, o que pode levar a reações graves, inclusive fatais.
A gerente enfatizou que qualquer médico pode prescrever esses medicamentos, mas recomenda-se especialistas como endocrinologistas, nutrólogos ou cardiologistas, que realizam exames prévios para avaliar riscos e compatibilidade. Estudos indicam benefícios cardiovasculares em alguns casos, mas o uso exige monitoramento contínuo para evitar efeitos colaterais como náuseas intensas, distúrbios metabólicos e problemas graves. Marcas estrangeiras de origem paraguaia, como TG, Cinética, Lipoless e Tirzazep Royal, foram proibidas em novembro de 2025 por falta de registro sanitário brasileiro, mesmo que reguladas em seus países de origem – no Brasil, exigem análise específica da Anvisa para garantir boas práticas de fabricação e transporte.
Produtos experimentais como a retatrutida, ainda em fase 1 de testes clínicos (estudos em grupos pequenos), foram expressamente vetados em janeiro de 2026, pois não há dados conclusivos sobre dosagem segura (máxima e mínima), eficácia ou potência, tornando seu uso extremamente perigoso, equivalente a experimentação em humanos sem controle. O contrabando agrava tudo: essas substâncias termossensíveis são transportadas em condições precárias, como baús de caminhões ou até pneus – relatos incluem apreensões de mais de mil ampolas nessas situações –, alterando sua composição química, reduzindo eficácia ou gerando moléculas tóxicas letais.
As vendas explodem na internet e redes sociais, onde a Vigilância não acessa diretamente sem apoio policial para investigações. Denúncias revelam irregularidades como rótulos rudimentares, ampolas vazias ou preenchidas com água, falsificações, erros de dosagem, contaminantes e toxinas, além de vendedores sem qualificação que orientam mal os compradores. Sobredosagem pode causar choque anafilático, falência orgânica ou óbito; contaminação introduz partículas não estéreis no corpo; e degradação térmica transforma o produto em ineficaz ou fatal. O público é amplo, atingindo todas as idades, mas preocupa especialmente vulneráveis: gestantes, idosos e menores de 18 anos, incluindo jovens obesos que escondem o uso dos pais.
Fabiana reforçou a mensagem principal: priorize emagrecimento saudável com alimentação equilibrada, exercícios físicos e consulta médica para avaliar se uma intervenção drástica é necessária, evitando automedicação e “milagres” passageiros. Compre exclusivamente em farmácias licenciadas, que retêm a receita, orientam armazenamento refrigerado e dissipam dúvidas sobre procedência. O governo estadual e federal não distribui esses fármacos nos protocolos do SUS ainda, mas há estudos em andamento para inclusão futura em casos graves, o que poderia reduzir o mercado clandestino ao definir público-alvo preciso.
Para dúvidas, a Gerência de Medicamentos está disponível nos telefones (79) 3225-3810 ou 3804, no prédio da Secretaria de Estado da Saúde. Denúncias de vendas ilegais, anônimas ou não, devem ir para a Ouvidoria da Saúde pelo 155 ou e-mail ouvidoria.saude.se.gov.br, permitindo ações rápidas com apoio policial e apreensões. “O emagrecimento passa, mas a saúde fica”, concluiu Fabiana, convidando a população a colaborar para proteger todos, promovendo e resguardando a saúde coletiva como missão principal da Vigilância Sanitária.