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Cognition se instala no Brasil para competir com OpenAI e Anthropic no segmento corporativo

A startup de inteligência artificial (IA) Cognition anunciou neste mês sua chegada à América Latina, com a abertura de um escritório em São Paulo. Fundada em 2024, a empresa foi avaliada em US$ 48 bilhões no começo do mês após uma rodada de investimentos de US$ 2 bilhões, que teve entre os investidores o Founders Fund, do bilionário Peter Thiel.

Desconhecida da maioria das pessoas, a Cognition quer ser a pedra no sapato de OpenAI e Anthropic no mercado mais importante das gigantes: o segmento corporativo. A empresa desenvolve uma ferramenta de programação por meio de agentes de IA, o Devin AI, que disputa território com o Codex, da OpenAI, e o Claude Code, da Anthropic.

A chegada ao Brasil reforça a disputa global de empresas de IA por contratos corporativos. No mês passado, a OpenAI inaugurou a sua divisão de negócios em território brasileiro, e colocou os programadores como uma de suas prioridades — a companhia revelou que, em número de desenvolvedores que usam a API da OpenAI, o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo.

As APIs são as ferramentas que fazem a ponte entre programadores e os recursos da OpenAI.

Já a Anthropic, que não tem operação brasileira, tem 80% de sua receita anual de US$ 65 bilhões conectada ao mercado corporativo. Além das duas mais famosas, a disputa no segmento se intensificou com nomes como Replit, Lovable e Cursor — essa última comprada por US$ 60 bilhões pela SpaceXAI para acelerar a presença da empresa de Elon Musk junto a programadores.

A abertura do escritório, no entanto, não significa que a companhia já não tenha botado os pés no território brasileiro — ao contrário, a conexão da companhia com o país é histórica. Por aqui, a startup já tem clientes como Itaú e Nubank — o banco digital fundado por David Velez foi o primeiro cliente internacional da companhia, enquanto o Itaú representa um dos maiores contratos da empresa.

“Sabe, muitos dos nossos primeiros clientes são daqui, como o Nubank e alguns dos nossos primeiros clientes de um ano e meio, dois anos atrás, o que para nós é muito tempo, nossa empresa tem apenas cerca de dois anos e meio. Então alguns dos nossos clientes mais antigos são daqui”, disse ao GLOBO Scott Wu, fundador da Cognition.

Agora, Guilherme Grupenmacher, chefe de estratégia e operações da América Latina, quer buscar novos clientes.

“Globalmente a gente vai muito bem em serviços financeiros, mas, no Brasil, os clientes estão diversificando muito rápido Entre eles estão iFood, Mercado Livre e Natura. Também estamos de olho em “emerging techs”, que são empresas jovens que usam tecnologia, como o EBANX”, disse ele ao GLOBO.

O executivo de 26 anos não revela qual é o tamanho esperado de receita do mercado brasileiro, mas afirma que o país é um dos mais importantes para a companhia. Para garantir o sucesso, a companhia vai abrir um centro de engenharia, com até 20 contratações até o final do ano, para auxiliar na integração entre tecnologia e clientes — esse, segundo ele, é um dos diferenciais em relação a concorrentes diretos.

Assim como os rivais mais famosos, o Devin AI usa modelos proprietários para auxiliar programadores, como o SWE 1.7, que ajuda a planejar a execução, a escrever e revisar código, a realizar testes, a investigar problemas e preparar entregas para validação humana.

Além dos próprios modelos, a companhia permite integrar IAs rivais, algo parecido com aquilo que o Cursor também faz. Entre os programadores brasileiros, a ferramenta tem até “apelido”: Devinho

Em relação à concorrência com a OpenAI, Grupenmacher tenta diferenciar o Devin e até “torce” pela empresa de Sam Altman.

“Ele é um engenheiro de software autônomo que tem sua própria máquina, sua própria VM. O maior impacto é com fluxos de engenharia autônomos que acontecem independentemente do engenheiro. O Codex ainda é um copiloto do engenheiro. E o Devin é única ferramenta no mercado hoje que tem acesso a todos os modelos de todas as empresas lá dentro. Se as pessoas amarem os modelos da OpenAI é ótimo para nós, porque elas podem amar também os modelos da OpenAI e usar tudo mais que a gente oferece”.

Atualmente, a companhia tem escritórios em Washington, Tóquio, Cingapura, Londres, Madri, São Francisco, Nova York e Austin. Desde maio, a receita anualizada da companhia saltou de US$ 492 milhões para US$ 900 milhões.

 

Fonte: AJN1

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