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Ofertas no mercado de capitais brasileiro recuam 16% em um ano

As ofertas encerradas no mercado de capitais brasileiro somaram R$ 48,8 bilhões em agosto, um recuo de 16% em relação aos R$ 58 bilhões registrados no mesmo mês de 2025, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Na comparação com julho, as debêntures e os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) perderam fôlego, enquanto os FIDCs ganharam espaço.

Principal instrumento de captação do mercado, as debêntures movimentaram R$ 21,5 bilhões no mês, volume 35,2% inferior ao de julho. Mesmo com a queda, os títulos mantiveram a liderança e concentraram 44,1% de todas as emissões realizadas em agosto.

Os FIIs também registraram forte desaceleração. As captações desses fundos ficaram em cerca de R$ 5,1 bilhões, menos da metade dos R$ 11,7 bilhões de julho, mês em que o instrumento havia alcançado o maior resultado mensal de 2026 até então.

Na direção oposta, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) ajudaram a sustentar a atividade do mercado. As emissões desses veículos chegaram a aproximadamente R$ 14,5 bilhões, o segundo maior volume mensal do ano, com alta de 116% frente aos R$ 6,7 bilhões de julho e de 146,3% sobre os R$ 5,9 bilhões de agosto de 2025. No acumulado de 2026, os FIDCs já superam R$ 74 bilhões em captações.

Para Guilherme Maranhão, presidente do Fórum de Estruturação de Mercado de Capitais da Anbima, o resultado do mês indica uma mudança no perfil das emissões. “Embora as debêntures continuem liderando as emissões, agosto reforçou uma mudança na composição das captações, com instrumentos ligados a recebíveis ganhando participação e ajudando a sustentar a atividade do mercado”, afirmou.

Segundo ele, o avanço dos FIDCs está ligado à maior seletividade na concessão de crédito. “Em um cenário de maior seletividade no crédito, instrumentos lastreados em recebíveis permitem adequar melhor prazos, garantias e fluxos de pagamento às necessidades das empresas, o que ajuda a explicar o crescimento observado ao longo do ano”, disse.

Outros instrumentos lastreados em recebíveis também avançaram na comparação mensal. Os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) somaram cerca de R$ 2,4 bilhões, alta de 32,5% sobre julho, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) movimentaram aproximadamente R$ 2,2 bilhões, quase o triplo dos R$ 776,8 milhões do mês anterior. Entre os instrumentos híbridos, os Fundos de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagros) captaram cerca de R$ 1,4 bilhão, volume 26 vezes maior que o de agosto de 2025.

No acumulado de janeiro a agosto, as emissões domésticas totalizaram cerca de R$ 485 bilhões, crescimento de 7,1% em relação ao mesmo período do ano passado.

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Fonte: AJN1

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