Polo Industrial
Para se ter uma ideia, 39 das 41 grandes indústrias da China e todas as 31 principais categorias de manufatura do país têm sede em Chongqing. A cidade ainda abriga 19 fabricantes completos de veículos e mais de 1,2 mil empresas de autopeças.
O silêncio dos motores dos carros nas ruas e as diversas estações de recarga de veículos comprovam que Chongqing é um centro de produção de carros elétricos, além de sediar empresas de equipamentos militares, tecnologia nuclear, indústria naval e aeroespacial.
A vida noturna e cultural, o comércio vibrante e a culinária apimentada, liderada pelos chamados hot pots, espécie de fondue chinês com alimentos cozidos diretamente nas mesas em panelas com água fervendo, tem colocado Chongqing como um dos principais destinos turísticos do mundo.
Ao falar para convidados de quase 20 países no Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, na última semana, o secretário do Comitê Municipal do Partido Comunista da China em Chongqing, Yuan Jiajun, destacou que a cidade busca colocar em prática o conceito de “civilização ecológica” definido pelo presidente chinês Xi Jinping.
“A prática dinâmica da construção de uma nova Chongqing moderna comprova plenamente a poderosa força da verdade e a grande capacidade prática do pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era”, disse.
Hub da Rota da Seda
A metrópole do oeste da China também se destaca por ser um dos principais centros logísticos da Nova Rota da Seda, projeto de infraestrutura para conectar o país com o resto do mundo.
Das fábricas do município, os produtos chineses alcançam a Europa, Ásia Central e Rússia por mais de 1,3 mil quilômetros de trens de alta velocidade e mais de 4,7 mil quilômetros de rodovias expressas, além do próprio rio Yangtzé que leva mercadorias até o porto de Xangai, a 1,4 mil quilômetros de distância.
O professor brasileiro André Pereira Reinnert Tokarski esteve em Chongqing pela segunda vez e visitou fábricas e indústrias da região.
“A cidade vivia brigando com o rio [Yangtzé], lutando para sobreviver às ameaças que o rio eventualmente representava, de grandes enchentes e deslizamentos de terra. Até que buscou se reconciliar para olhar para a natureza não como uma inimiga, mas sim a se adaptar”, disse à Agência Brasil.
Pesquisador do Centro Universitário Alves Faria (Unialfa), Tokarski coordena um projeto de cooperação entre Brasil e China que estuda os mecanismos de governança dos países em torno dos rios Yangtzé e Amazonas.
Para o especialista, a cidade está no centro do contexto da “civilização ecológica” proclamada pelo governo chinês, que busca aliar desenvolvimento e melhoria das condições de vida da população à preservação ambiental.