• Home
  • Notícias
  • Copom: mercado vê teste de credibilidade para o BC e teme piora na curva de juros

Copom: mercado vê teste de credibilidade para o BC e teme piora na curva de juros

O Banco Central anuncia nesta quarta-feira (4) a primeira decisão sobre a Selic após as eleições, e o mercado aposta na manutenção da taxa em 13,75% ao ano. Nas opções de Copom da B3, essa hipótese tinha 72,5% de probabilidade na sexta-feira (30), contra 26% para um corte de 0,25 ponto. Para gestores e economistas ouvidos pelo InfoMoney, no entanto, o efeito mais relevante da reunião deve se concentrar nos vencimentos longos da curva de juros, que acumulam prêmio elevado desde a reeleição do presidente Lula (PT).

O risco, na avaliação desses agentes, é que um corte sem sinalização fiscal por parte do governo amplie esse prêmio. É nesse trecho da curva que se formam as taxas dos títulos prefixados e atrelados à inflação e que se define o custo de financiamento de empresas e do Tesouro Nacional. A reação dos juros longos à decisão e ao comunicado tende, assim, a indicar se a escolha do Copom é vista como compatível com o quadro fiscal, numa reunião já tratada como teste para a credibilidade do BC.

“Se não houver sinalização, e se [o] BC tentar cortar os juros, veremos a curva de juros futura estourando, e empresas se financiam na curva futura, não na Selic de um dia”, afirma Pierre Jadoul, diretor-executivo e responsável pela estratégia de crédito privado da ARX Investimentos. Para ele, o estresse nos ativos reduziu o espaço para cortes no curto prazo.

As expectativas, porém, não são unânimes. O boletim Focus divulgado na terça-feira (3) ainda aponta corte de 0,25 ponto nesta reunião, embora a mediana das projeções para a Selic no fim do ano tenha subido de 13,25% para 13,50%.

A reprecificação começou na segunda-feira (26), primeiro pregão após o segundo turno, quando as taxas de contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) chegaram a avançar mais de 300 pontos-base. No Tesouro Direto, os títulos prefixados registraram a maior alta diária de taxas da série histórica, iniciada em 2005, e o Prefixado 2032 chegou a 15,50% ao ano. A volatilidade levou o Tesouro a cancelar leilões e a recomprar papéis.

Na terça-feira, na volta do feriado de Finados, o movimento voltou a se concentrar nas taxas longas. Por volta das 11h, o DI para janeiro de 2035 subia de 15,33% no ajuste anterior para 15,52%. Pesou sobre os preços a notícia, publicada pela coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo, de que Lula teria um encontro com o economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real. Lara Resende defendeu recentemente uma redução programada da Selic para 7,5% ao ano em 12 meses, como forma de reduzir a dívida pública sem grandes cortes de gastos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou que haja agenda marcada entre os dois e afirmou que a ideia tem várias deficiências e “não é uma proposta a ser avaliada ainda”. Segundo ele, o governo trabalha em um ajuste gradual das contas públicas.

Um operador de uma instituição financeira ligada a um importante banco estrangeiro, ouvido pelo InfoMoney, avalia que a ponta curta da curva depende da leitura que o BC fizer do momento. O juro longo, por sua vez, “está um pouco deslocado para pior”. Segundo ele, os preços seguirão sem referência enquanto o governo não anunciar a nova equipe econômica e as medidas fiscais.

Para Leandro Padulla, economista do ASA, cabe ao Copom dimensionar o alcance desse movimento. “O papel do Banco Central, neste momento, é avaliar em que medida a depreciação cambial e o aumento dos prêmios de risco serão persistentes e poderão contaminar as expectativas e as projeções de inflação no horizonte relevante”, diz.

O operador observa que a dívida pública vem sendo rolada em prazos mais curtos por causa das taxas elevadas. Em sua avaliação, uma sinalização de responsabilidade fiscal que afaste o temor de dominância fiscal daria ao BC credibilidade para reduzir os juros e ao Tesouro condições de alongar o perfil da dívida.

Em relatório, Sérgio Goldenstein, da Eytse Estratégia e ex-chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto do BC, vê na credibilidade o principal argumento contra um corte nesta reunião. “Um corte neste momento, ainda que pequeno, poderia suscitar dúvidas sobre o compromisso do BC com a convergência da inflação, podendo levar, inclusive, a interpretações de influência do cenário político sobre a decisão”, escreve. Se lido como leniência diante dos riscos inflacionários, segundo ele, o corte tenderia a aumentar a inclinação da curva de juros, pressionar o câmbio e piorar as expectativas, num aperto das condições financeiras capaz de neutralizar o estímulo da redução da Selic.

Bernardo Feijó, COO da Kapitalo Investimentos, considera improvável que o debate sobre os juros no país tome outra direção que não a de alta. “E caso se esteja discutindo queda, será por motivos muito ruins, colapso na atividade ou até no limite, questionamento da independência do BC, o que se quer evitar a todo custo. São riscos de cauda, mas estão na mesa”, afirma.

Para o investidor, os títulos prefixados e atrelados à inflação permanecem sujeitos à marcação a mercado, que reflete a reação dos vencimentos longos à decisão. O Tesouro Selic e os CDBs atrelados ao CDI, por sua vez, acompanham a taxa definida pelo Copom. O comunicado desta quarta deve indicar se o ciclo de cinco cortes foi encerrado ou apenas interrompido, antes da reunião de dezembro, a última do ano.

Fonte: AJN1

últimas notícias

mais lidas

VEJA MAIS

Governo Lula aposta em derrubada pelo STF de lei de 2018 que autorizou bets

Integrantes do governo Lula apostam em uma derrubada, pelos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal),…

Copom: mercado vê teste de credibilidade para o BC e teme piora na curva de juros

O Banco Central anuncia nesta quarta-feira (4) a primeira decisão sobre a Selic após as…

Luciano Pimentel destaca entrega de obras no Médio Sertão sergipano

O deputado estadual Luciano Pimentel (PL) ocupou a Tribuna da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese)…