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Deep techs e transição energética expõem gargalos e oportunidades para a indústria brasileira | ASN Nacional

Conexão foi a palavra que mais se ouviu ao longo do 11º Congresso de Inovação da Indústria, encerrado nesta quinta-feira, em São Paulo. Conexão entre universidades, empresas, investidores e governo como condição para fazer a inovação sair do papel e ganhar escala. O Brasil já reúne ativos relevantes para avançar em deep techs e na transição ecológica e digital, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse potencial em resultados concretos. Descompasso que o próprio ecossistema agora tenta corrigir, com mais coordenação, recursos e pressão por execução.

Outro entrave recorrente é o acesso a capital. Diferentemente de startups tradicionais, deep techs exigem ciclos mais longos e maior tolerância ao risco, o que limita o interesse de parte do investimento privado. Representantes do setor destacaram que, além do financiamento, ainda é preciso criar condições para que tecnologias sejam testadas e aplicadas em ambientes reais, aproximando pesquisa e mercado e ampliando o papel da indústria no processo.

Igor Nazareth, da Embrapii, lembra que muitas empresas ainda dependem de mecanismos de fomento para introduzir inovação (foto: Túlio Vidal)

Para Igor Nazareth, diretor da Embrapii, esse tipo de iniciativa demanda políticas públicas e apoio estruturado, especialmente para micro e pequenas empresas. Segundo ele, a demanda por pesquisa, desenvolvimento e inovação tem crescido no setor privado, mas muitas empresas ainda dependem de mecanismos de fomento para transformar tecnologia em aplicação prática.

A indústria foi apontada como peça central nesse processo. A ausência de espaços para validação prática ainda mantém muitas soluções em estágio experimental. Ao mesmo tempo, mecanismos de incentivo como venture capital e inovação aberta começam a ganhar espaço.

Não falta ativo ao Brasil. Temos base científica, energia limpa e setores estratégicos onde podemos liderar. O que falta é fazer isso chegar ainda mais ao mercado. É para isso que estamos aqui, para reforçar essa necessidade, conectar melhor os atores e reduzir barreiras em benefício do desenvolvimento do país, Bruno Quick, diretor técnico do Sebrae Nacional.

Na avaliação de Horácio Lafer Piva, acionista e conselheiro da Klabin, o país tem uma oportunidade de longo prazo. Ele destacou que deep techs permitem construir vantagens competitivas mais consistentes, alinhadas a ciclos de retorno mais longos, e que esse perfil tem atraído o interesse de investidores como family offices.

Horácio Lafer Piva destacou as vantagens competitivas das deep techs (foto: Túlio Vidal)

Ao longo do congresso, agentes de fomento como BNDES, Finep, Embrapii e Sebrae deixaram claro que a agenda já está em curso. Linhas de crédito, subvenções, programas de inovação e instrumentos de apoio vêm sendo estruturados para dar escala à transição energética e digital, com foco crescente nas micro e pequenas empresas.

Nazareth afirmou que cerca de 50% dos mais de 4 mil projetos apoiados pela Embrapii envolvem pequenos negócios, muitos viabilizados em parceria com o Sebrae. Nesse modelo, a empresa entra com uma parcela do investimento no desenvolvimento tecnológico, que gira em torno de 35% do custo total do projeto. Para micro e pequenas empresas, o Sebrae pode subvencionar até 70% dessa contrapartida, reduzindo significativamente o desembolso direto.

No BNDES, a estratégia passa por ampliar o crédito e melhorar a coordenação das políticas. O banco mantém linhas específicas para micro, pequenas e médias empresas, com cerca de R$ 100 milhões anuais direcionados, além de operar por meio de agentes financeiros para ampliar o alcance aos empreendedores.

A Finep reforçou que o Brasil vem ampliando seus programas de política industrial. Hoje, micro e pequenas empresas já concentram parcela significativa dos recursos em algumas linhas de financiamento, movimento visto como essencial para ampliar a competitividade.

Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em parceria com o Sebrae, o 11º Congresso de Inovação da Indústria reuniu representantes do setor público, da indústria e do ecossistema de inovação brasileiros.

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