A poluição visual provocada pelo excesso de cabos nos postes se tornou um dos principais desafios de infraestrutura nos centros urbanos. O emaranhado de fios, caixas e equipamentos visíveis nas ruas não apenas compromete a estética das cidades, mas também afeta diretamente a segurança e a mobilidade urbana. Ano a ano as distribuidoras de energia, responsáveis pela gestão dos postes, têm atuado para fiscalizar e organizar a fiação, que muitas vezes é colocada nos postes de forma irregular, desrespeitando o regramento sobre a ocupação desses espaços. Apenas em 2025 as distribuidoras removeram mais de 2 mil toneladas de cabos irregulares em todo o país. O número é mais de duas vezes superior ao volume retirado no ano anterior, quando 918 toneladas de fios irregulares foram arrancadas.
O Brasil possui mais de 53 milhões de postes, responsáveis por levar energia a cerca de 99,8% dos domicílios do país. E além de sustentarem a infraestrutura da rede elétrica de distribuição, eles também são utilizados por empresas de telecomunicações para instalação de redes de internet e telefonia.
“Os postes são operados pelas distribuidoras de energia elétrica, concessionárias responsáveis pela gestão e manutenção desses ativos, que têm como objetivo a prestação do serviço de energia. Esse uso irregular, sem contrato ou pagamento que garanta a manutenção e a segurança necessárias, ameaça a qualidade dos serviços de distribuição de energia e a própria população”, ressalta Patricia Audi, presidente-executiva da Abradee
Em todo o Brasil, as distribuidoras vêm atuando pra fiscalizar e coibir as irregularidades não apenas retirando a fiação irregular, mas notificando as empresas responsáveis pelos cabos irregulares. Nos últimos dois anos foram emitidas 4,3 milhões de notificações pelas distribuidoras a empresas responsáveis por cabos fixados irregularmente.
“Além da retirada de cabos e da emissão de notificações, as distribuidoras de energia elétrica vêm ampliando o trabalho de fiscalização através de parcerias com prefeituras, também sensibilizadas por esse problema. Desde 2024 as empresas já firmaram mais de 150 convênios com o poder público para atuar no ordenamento da fiação nos postes, o que contribui para a manutenção da infraestrutura e para a segurança da população, reduzindo risco de acidentes”, frisa Patricia Audi.
Projeto de lei busca solução definitiva para ocupação irregular dos postes
A organização dos postes também está em discussão no Congresso Nacional. O Projeto de Lei nº 3.220/2019, aprovado pelo Senado e atualmente em análise na Câmara dos Deputados, estabelece novas regras para o compartilhamento da infraestrutura entre distribuidoras de energia e empresas de telecomunicações.
A proposta prevê mecanismos para combater a ocupação irregular dos postes e garantir maior segurança à população. A Abradee defende a aprovação do texto já consensuado entre os setores de energia e telecomunicações e alerta que mudanças para criar uma nova entidade gestora dos postes — conhecida no setor como “posteiro” — podem aumentar custos operacionais e, consequentemente, gerar impactos na conta de luz dos consumidores.
“Quem já possui presença em todos os municípios, equipes técnicas especializadas e responsabilidade legal pela operação e manutenção dessa infraestrutura são as distribuidoras de energia. O texto aprovado pelo Senado organiza os postes, combate a ocupação irregular e aumenta a segurança da população sem criar custos adicionais que, ao final, recaem sobre os consumidores”, afirma Patricia Audi, presidente-executiva da Abradee.
Fonte: AJN1