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Entenda como lideranças brasileiras articulam agenda climática global às vésperas da COP31, na Turquia

Às vésperas da COP31, que ocorrerá na Turquia nos próximos dias, lideranças da COP30 apresentaram dois mapas para acelerar a implementação de compromissos climáticos. O evento, ocorrido nessa terça-feira (3), foi comandado pelo presidente da conferência, André Corrêa do Lago, e pela diretora-executiva, Ana Toni, e também contou com a presença da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.

Com o objetivo de demonstrar que os acordos climáticos internacionais precisam de mais ação do que discurso, o Brasil apresentou dois mapas: o do Caminho para a Transição para o Afastamento dos Combustíveis Fósseis nos Sistemas Energéticos; e o do Caminho para Parar e Reverter o Desmatamento e a Degradação Florestal até 2030.

O objetivo é transformar em políticas nacionais as discussões travadas nas COPs, prevendo investimentos e resultados mensuráveis. Os documentos têm como princípio o multilateralismo climático, a soberania nacional e as responsabilidades comuns.

Energia

A geração de energia e dados das emissões de gases do efeito estufa seriam os chamados “resultados mensuráveis” — inclusive, o Mapa do Caminho conclui que a transição para o afastamento dos combustíveis fósseis é urgente, inevitável e perfeitamente possível para qualquer país.

O documento reconhece e adverte que a transição precisa ser coordenada internacional e domesticamente. Segundo o texto, cortar a produção de fósseis mais rápido que a queda na demanda gera inflação e escassez, enquanto manter a oferta acima do consumo futuro perpetua a dependência de ativos obsoletos.

Para acelerar essa agenda nesta década crítica, o relatório propõe o Mutirão TAFF (Transitioning Away From Fossil Fuels), uma aliança coletiva voltada para ações coordenadas até 2033.

Multilateralismo

Quanto ao multilateralismo, os documentos refletem a evolução da estratégia contemporânea de manter diálogos e acordos bilaterais e em blocos — uma agenda defendida pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. O mecanismo, no caso da defesa ambiental, servirá para negociações diplomáticas a respeito do clima, de forma amigável e rígida, respeitando as soberanias.

Os documentos apresentados reconhecem que a crise climática e a desigualdade socioeconômica estão interligadas, exigindo caminhos adaptados à realidade de cada nação de forma soberana. Ou seja, não se exigirá uma agenda climática de um país ou bloco baseada em outro com caraterísticas diferentes.

Eixo florestal

O Mapa do Caminho abrange diferentes ecossistemas, como florestas tropicais, subtropicais, temperadas e boreais, além de manguezais e turfeiras. Embora dados da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) indiquem uma redução no ritmo do desmatamento global nas últimas décadas, a perda e a degradação florestal continuam em níveis críticos — com as florestas tropicais concentrando 88% do desmatamento registrado entre 1990 e 2025.

O relatório alerta para os riscos da degradação causada por calor, secas e incêndios, que ameaçam a capacidade das florestas de armazenar carbono e regular o ciclo da água, podendo levar ecossistemas como a Amazônia a pontos de não retorno.

Para enfrentar o problema sistêmico, o texto propõe um roteiro em cinco etapas para as estratégias nacionais — do diagnóstico à avaliação contínua — e destaca quatro frentes práticas de atuação diplomática e operativa: o aprimoramento do monitoramento florestal, o fortalecimento da assistência técnica, o combate ao crime ambiental transnacional e a criação de incentivos comerciais para produtos sustentáveis.

Contudo, o gargalo diplomático e financeiro permanece no aporte de recursos. Segundo o PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), os investimentos para a proteção florestal precisam saltar dos US$ 84,5 bilhões registrados em 2023 para mais de US$ 300 bilhões anuais até 2030.

Atualmente, 88,3% desses recursos vêm dos orçamentos públicos dos próprios países em desenvolvimento onde estão as florestas tropicais, enquanto o financiamento internacional representa apenas 3,4%.

O documento defende a ampliação e a desburocratização de mecanismos multilaterais, como o REDD+ jurisdicional e o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre).

 

Fonte: AJN1

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