Vereador afirma que estudos técnicos já apontavam outras três áreas com potencial para receber o equipamento público e cobra transparência da gestão municipal.
O vereador Fábio Meireles (PDT) fez duras críticas à gestão da prefeita Emília Corrêa durante pronunciamento na Câmara Municipal de Aracaju. O parlamentar questionou a decisão da Prefeitura de desapropriar um terreno pertencente à TV Atalaia, no bairro Santo Antônio, para a construção de um cemitério ecológico municipal. Segundo ele, estudos técnicos e documentos relacionados a uma ação civil pública já apontavam outras áreas com potencial para receber o empreendimento, inclusive um terreno de propriedade do próprio município.
Durante o discurso, Fábio Meireles apresentou documentos de estudos realizados pela Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), além de uma nota técnica elaborada na atual gestão, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente. O vereador argumentou que os documentos analisam três áreas anteriormente selecionadas: Japãozinho, Ponto Novo e Areia Branca, na Zona de Expansão.
De acordo com o parlamentar, o estudo inicial chegou a avaliar seis terrenos, localizados no Mosqueiro, na Rodovia dos Náufragos, em Ponto Novo, no bairro Dom Luciano e no Japãozinho. Após uma avaliação preliminar, três áreas foram consideradas inviáveis, enquanto outras três permaneceram com potencial para receber o empreendimento.
Fábio Meireles destacou que uma das áreas, localizada na região da Areia Branca, pertence à Prefeitura de Aracaju e possui aproximadamente 3.644 metros quadrados. Para ele, a utilização desse terreno evitaria uma nova despesa de aquisição ou desapropriação para os cofres públicos.
O vereador também contestou a declaração da prefeita Emília Corrêa de que todas as áreas inicialmente consideradas seriam privadas.
“A prefeita ou desconhece os documentos ou está apresentando uma informação que não corresponde à realidade dos estudos”, afirmou o parlamentar.
Outro ponto levantado foi a inclusão do terreno da TV Atalaia na discussão. Fábio Meireles ressaltou que, segundo sua interpretação dos documentos apresentados, a área do Santo Antônio não aparece entre os terrenos avaliados nos estudos anteriores vinculados à ação civil pública.
O parlamentar também questionou a negociação envolvendo o imóvel. Segundo ele, o empresário Augusto Franco Neto já teria recebido uma proposta de uma construtora para negociar a propriedade, mas a possibilidade de desapropriação pela Prefeitura teria alterado os planos.
Durante o pronunciamento, o vereador levantou dúvidas sobre os critérios utilizados para escolher justamente o terreno da emissora e cobrou informações sobre o valor da desapropriação.
“Isso é uma desapropriação que mascara uma venda. Nós, que somos fiscais do povo e fomos eleitos para isso, não sabemos o valor dessa desapropriação, mas a TV Atalaia sabe”, declarou.
Fábio Meireles também criticou o decreto municipal nº 8.920, que formalizou a desapropriação do imóvel, e defendeu que o procedimento seja revisto.
“Agora, nós só vamos aceitar esse recuo quando for revogado o decreto. O dinheiro do povo não pode entrar em negociata de Emília Corrêa com quem quer que seja”, afirmou.
O vereador fez referência ainda ao posicionamento divulgado pela prefeita, que reconheceu uma falha de comunicação sobre o projeto e anunciou a intenção de ampliar a avaliação, incluindo terrenos no Santo Antônio e no Santa Maria, além das três áreas anteriormente consideradas.
Para Fábio Meireles, a justificativa apresentada pela gestora não é suficiente. Ele defendeu que a administração municipal respeite os estudos técnicos, os documentos da ação civil pública e, principalmente, o interesse coletivo.
Ao concluir o pronunciamento, o parlamentar voltou a cobrar transparência e responsabilidade na condução do processo.
“O que falta de verdade é vontade e respeito à população”, concluiu.
Assessoria de Comunicação