Por Barroso Guimarães
Em entrevista à A Hora da Notícia, professor Alberto Garcia destacou a importância do conhecimento regional, falou sobre estratégias de estudo e analisou o perfil das provas em Sergipe
A preparação para concursos públicos exige cada vez mais conhecimento sobre a legislação e a realidade regional do Estado onde o candidato pretende trabalhar. A avaliação foi feita pelo professor Alberto Garcia, especialista em Cultura e História de Sergipe, durante entrevista concedida ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM, com participação do repórter Eraldo Souza.
Segundo o professor, conhecer a história e as características do Estado pode representar um diferencial para quem disputa uma vaga no serviço público, especialmente em concursos realizados em Sergipe.
Garcia citou como exemplo o concurso para a Guarda Municipal de Aracaju e destacou a importância de o candidato conhecer a Lei Orgânica do município, os símbolos oficiais e outros aspectos relacionados à legislação e à história local.
“Se você conhece bem a Lei Orgânica, o que faz parte dessa lei, os símbolos municipais, isso dá um passo à frente para o concurseiro”, explicou.
História de Sergipe aparece em diferentes áreas
De acordo com Alberto Garcia, conhecimentos sobre a história de Sergipe têm aparecido com frequência em concursos nas áreas de educação, saúde e segurança pública.
O professor afirmou que provas para Polícia Civil, Polícia Militar e Guarda Municipal costumam incluir conteúdos relacionados à história e aos conhecimentos regionais. Ele citou também concursos recentes da área da saúde e da educação como exemplos dessa tendência.
Garcia explicou que a quantidade de questões depende da banca organizadora e do conteúdo previsto no edital. Em um concurso recente da Secretaria de Estado da Saúde, por exemplo, foram cobrados dez itens relacionados aos conhecimentos específicos mencionados na entrevista.
O professor também destacou que concursos mais recentes vêm exigindo uma preparação mais abrangente dos candidatos.
Candidatos de outros estados disputam vagas em Sergipe
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o aumento da concorrência de candidatos de outras partes do país.
Segundo Alberto Garcia, a democratização dos concursos públicos, aliada à expansão das videoaulas e dos cursos on-line, facilitou a participação de candidatos de diferentes estados.
Ele citou como exemplo concursos realizados em Sergipe nos quais candidatos de estados como Santa Catarina, Paraná e Maranhão conseguiram aprovação e posteriormente passaram a trabalhar e morar no Estado.
O professor afirmou ainda que, em um concurso realizado pela Prefeitura de Aracaju para a área da educação, mais de 35% dos candidatos aprovados que tomaram posse seriam de fora de Sergipe.
Para Garcia, esse cenário reforça a necessidade de o candidato sergipano conhecer profundamente a própria história e os conhecimentos regionais cobrados nos editais.
Gado e economia estão entre os temas importantes
Ao falar sobre os assuntos mais cobrados nas provas, o professor destacou a formação econômica de Sergipe.
Segundo ele, um dos erros mais comuns é aplicar automaticamente ao Estado características históricas de outras áreas do Nordeste.
“Todo mundo lembra do ensino médio, que o Nordeste brasileiro se desenvolveu com a cana-de-açúcar. Sergipe foi ao contrário: nós nos desenvolvemos com o gado”, explicou.
Garcia afirmou que essa particularidade histórica pode aparecer como uma espécie de “pegadinha” em provas, principalmente para candidatos de outros estados que não conhecem as especificidades da formação histórica sergipana.
O professor também explicou que a expansão da pecuária para o interior de Sergipe esteve relacionada ao contexto posterior à expulsão dos holandeses, quando o gado passou a ser levado para regiões do Agreste e do Sertão.
Decorar não é suficiente
Para Alberto Garcia, um dos principais erros dos candidatos é tentar apenas memorizar informações sem compreender os processos históricos.
“Não adianta você decorar. Tem que entender o assunto”, afirmou.
Segundo ele, as bancas examinadoras passaram a trabalhar cada vez mais com interpretação e contextualização. Por isso, simplesmente decorar nomes, datas ou acontecimentos pode não ser suficiente para responder corretamente às questões.
O professor também alertou para erros básicos relacionados ao conhecimento regional. Durante a entrevista, citou como exemplo uma aula on-line na qual teria sido apresentada uma informação equivocada envolvendo os povos indígenas Kiriri e Xocó e sua relação com Aracaju.
Para Garcia, situações como essa demonstram a importância de buscar fontes confiáveis e estudar especificamente o conteúdo previsto para cada concurso.
Pouco tempo exige estratégia
Para quem trabalha e dispõe de poucas horas por dia para estudar, o professor recomenda uma combinação entre teoria e resolução de questões.
“Responder o maior número de questões possível”, orientou.
Segundo Garcia, o candidato não deve abandonar completamente a teoria, mas precisa utilizar a resolução de questões para identificar dificuldades e revisar os conteúdos.
Ele também recomendou que candidatos que já estudam há meses ou anos reorganizem o cronograma e priorizem a revisão antes das provas, em vez de deixar toda a preparação para as chamadas revisões de véspera.
O professor citou ainda o concurso da Polícia Militar de Sergipe como exemplo de preparação de longo prazo. Segundo ele, mais de 85% dos candidatos aprovados no concurso mencionado haviam participado de uma seleção anterior e continuaram estudando durante os anos seguintes.
Curso preparatório funciona como uma bússola
Alberto Garcia comparou o papel dos cursos preparatórios ao de uma bússola para o candidato.
“O cursinho é uma bússola. Ele vai te dar um direcionamento”, afirmou.
Segundo ele, o curso não garante aprovação, mas pode ajudar o candidato a organizar os estudos, compreender o conteúdo do edital e identificar aquilo que deve ser priorizado.
Garcia também chamou atenção para as diferenças entre as bancas examinadoras. Segundo ele, cada organizadora possui características próprias na elaboração das provas, o que exige do candidato conhecimento sobre o perfil da instituição responsável pelo concurso.
Estudar sozinho é possível, mas exige base
O professor afirmou que é possível ser aprovado estudando sozinho, mas ressaltou que candidatos com uma boa formação anterior podem ter mais facilidade para seguir esse caminho.
Ele explicou que o conteúdo estudado na universidade não é necessariamente cobrado da mesma maneira em um concurso público.
“Cada uma tem um aspecto distinto. É possível, é, mas é necessário, vez ou outra, ter um acompanhamento também”, afirmou.
Para Garcia, compreender o estilo da banca e a forma como os conteúdos são cobrados é fundamental para aumentar a eficiência da preparação.
Preparação de longo prazo faz diferença
Durante a entrevista, o professor também destacou a diferença entre quem começa a estudar especificamente para concursos e aqueles que já possuem uma rotina consolidada de preparação.
Segundo ele, candidatos que nunca tiveram contato com disciplinas como Direito Constitucional, Direito Administrativo ou Direito Penal Militar precisam primeiro construir uma base de conhecimento.
Por isso, Garcia considera que a preparação para concursos deve ser encarada como um processo contínuo, com estudo, resolução de questões e revisões periódicas.
Pedagogia entre as áreas com oportunidades
Na área da educação, o professor destacou a Pedagogia como uma formação que pode oferecer oportunidades em concursos municipais e estaduais.
Segundo Garcia, as prefeituras costumam demandar profissionais para a educação básica, enquanto o Governo de Sergipe também sinalizou a possibilidade de novos concursos para áreas ligadas à educação e à análise pedagógica.
Ele ressaltou, entretanto, que a existência de oportunidades depende das necessidades de cada órgão e dos respectivos editais.
Concurso público exige atenção ao edital
Na área administrativa, Alberto Garcia reforçou a importância de o candidato ler atentamente o edital antes de iniciar a preparação.
Segundo ele, muitos candidatos estudam apenas aquilo que imaginam que será cobrado e acabam surpreendidos por conteúdos diferentes na prova.
“Ele tem que pegar o edital, ler o edital, saber o que realmente ele quer estudar, ele quer se preparar”, orientou.
O professor também defendeu que o candidato avalie as condições oferecidas pelo órgão público, incluindo remuneração, quantidade de vagas, atribuições do cargo e requisitos para posse.
Cotas e organização dos editais
Outro assunto abordado na entrevista foi a política de cotas e a necessidade de que os editais estabeleçam claramente os critérios de participação e classificação.
Alberto Garcia afirmou que candidatos cotistas disputam as vagas destinadas às respectivas modalidades de reserva, conforme as regras estabelecidas no edital e na legislação aplicável.
Ele também citou discussões recentes relacionadas à participação de pessoas com deficiência em concursos da área de segurança pública e destacou que os cargos e funções precisam observar as exigências e condições estabelecidas para cada atividade.
Para o professor, os editais devem ser claros e adequadamente estruturados para evitar dúvidas entre os candidatos e problemas durante o processo seletivo.
Conteúdo gratuito para concurseiros
Ao final da entrevista, Alberto Garcia divulgou seus canais de comunicação e conteúdos gratuitos voltados para quem está se preparando para concursos.
No Instagram, o professor utiliza o perfil @profalbertogarciastoria. Ele também mantém no YouTube o canal História e Concursos, com aulas gratuitas sobre conteúdos relacionados à história e aos conhecimentos regionais de Sergipe.
Segundo Garcia, o objetivo é oferecer acesso ao conteúdo também para candidatos que não têm condições financeiras de frequentar um curso preparatório.