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Huse realiza procedimento inédito de plasmaférese e amplia assistência a pacientes com doenças neurológicas

Serviço implantado pelo Hemose amplia o acesso à plasmaférese para pacientes da rede estadual que necessitam do tratamento

Após sentir dores lombares que se intensificaram ao longo das semanas e evoluíram para perda de força nas pernas e alterações de sensibilidade, um paciente de 28 anos, deu entrada no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) para investigação de um quadro neurológico grave. Diagnosticada com mielite transversa aguda inflamatória, ela é a primeira paciente a realizar o procedimento de plasmaférese na unidade, serviço implantado pelo Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose).

Inicialmente encaminhada para avaliação da Neurocirurgia, a paciente realizou exames para investigar uma possível compressão da medula espinhal. Após a realização de tomografia e ressonância magnética, a equipe descartou lesões cirúrgicas e confirmou uma inflamação extensa da medula. O caso passou a ser acompanhado pela Neurologia, que iniciou tratamento com corticoides. Após resposta clínica e nova avaliação, foi indicada a plasmaférese, terapia utilizada para remover do plasma, anticorpos e substâncias inflamatórias responsáveis pelo ataque ao sistema nervoso.

O médico intensivista da Ala Amarela, Heitor Rocha, explica que a paciente apresentou um quadro neurológico de rápida evolução, compatível com uma doença autoimune. “Trata-se de uma paciente jovem que chegou com um quadro neurológico agudo. Após a investigação com exames de imagem, foi diagnosticada uma inflamação na medula, chamada mielite. A principal suspeita é de uma resposta autoimune, em que o próprio organismo passa a atacar a medula espinhal. Por isso, foi indicada a plasmaférese”, explicou.

Durante as sessões, a paciente permanece internada na Ala Amarela, setor destinado ao acompanhamento de pacientes que necessitam de monitorização contínua e cuidados intensivos intermediários.

Avanço para a rede estadual

Para o responsável técnico da Ala Amarela do Huse, Flávio Arcângelis, a implantação da plasmaférese representa um avanço para toda a rede pública de saúde, ampliando o acesso a um tratamento de alta complexidade para pacientes com doenças neurológicas e autoimunes. “Na plasmaférese, o sangue é retirado por um cateter e passa por uma máquina que separa o plasma das demais células sanguíneas. É justamente no plasma que podem estar os anticorpos responsáveis por atacar o organismo. Esse plasma é removido e substituído, reduzindo a inflamação. É um tratamento de resgate, que controla a resposta imunológica e cria melhores condições para a recuperação do paciente”, afirmou.

A paciente seguirá o protocolo de cinco sessões de plasmaférese e continuará sendo acompanhada pela equipe de Neurologia. Após a conclusão do tratamento, ela será reavaliada para definir a necessidade de novas sessões e dará continuidade ao processo de reabilitação.  

“É a primeira vez que esse procedimento é realizado no Huse. A paciente fará inicialmente cinco sessões, conforme o protocolo. Esse trabalho reúne equipes do Hemose, da Neurologia e da Medicina Intensiva. Ao final das sessões, ela será reavaliada para definir se haverá necessidade de um novo ciclo. A expectativa é interromper a resposta inflamatória responsável pela lesão na medula espinhal, ampliando as chances de recuperação funcional e reduzindo o risco de sequelas”, disse o responsável técnico.

Serviço amplia acesso ao tratamento

A implantação do serviço é resultado da integração entre o Huse e o Hemose. O superintendente do Hemose e hematologista, Richer Mota, explica que esta é a primeira vez que a plasmaférese é realizada na unidade e que a paciente seguirá o protocolo recomendado para esse tipo de tratamento.

“O Hemose está estruturando esse serviço para disponibilizá-lo à rede estadual de saúde e, agora, o Huse também está organizando todo o fluxo assistencial para incorporar esse atendimento e garantir que os pacientes tenham acesso ao procedimento sempre que houver indicação. A importância da plasmaférese é enorme porque ela pode mudar o prognóstico de pacientes com doenças neurológicas e outras condições graves. Em muitos casos, o tratamento reduz o risco de sequelas, acelera a recuperação e aumenta significativamente as chances de melhora clínica. Disponibilizar esse serviço na Rede Pública Estadual representa um avanço importante na assistência, oferecendo um cuidado mais ágil, qualificado e acessível para os pacientes que necessitam desse tratamento”, concluiu.

Fotos: Ascom SES

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Fonte: Secretaria de Estado da Saude de Sergipe

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