Astronautas treinam até 2 horas por dia no espaço para evitar perda de massa muscular_
A missão espacial “Artemis” levou o ser humano mais longe do que nunca, mas existe um desafio que pouco se fala. Num ambiente sem gravidade, o organismo entra em um modo de economia extrema. Sem movimento e sem carga, ele começa a “desligar” funções que entende como desnecessárias.
Luiz Fernando Lukas, profissional de Educação Física, conta que tanto para os astronautas como para os terráqueos, a regra é clara: quem não usa, perde. “Com exposição prolongada à microgravidade e sem exercício, o corpo perderia força, resistência e densidade óssea rapidamente. Assim, teria dificuldade para realizar tarefas básicas, como caminhar na Lua, operar equipamentos ou reagir a emergências”, aponta Lukas.
Sem a ação da gravidade, os músculos deixam de ser exigidos e começam a atrofiar rapidamente. Os ossos perdem densidade por não suportarem carga, o sistema cardiovascular desacelera e perde eficiência, e o equilíbrio e a coordenação ficam comprometidos.
Luiz Fernando, que é pós-graduado em Musculação e Treinamento de Força afirma que o exercício físico é tão essencial quanto o oxigênio, a água e a alimentação. “Na missão, os astronautas usam um equipamento chamado ARED, que simula carga. Com ele, fazem exercícios como agachamento, levantamento terra, supino, desenvolvimento de ombros, entre outros. Esse treino mantém a massa muscular, evita a perda óssea, protege as articulações e mantém o metabolismo ativo”, explica Luiz Fernando.
“Além da musculação, eles precisam simular o impacto que não existe no espaço. Por isso, a corrida na esteira é feita com um sistema de cintos que puxa o astronauta contra o equipamento. Esse esforço ajuda a preservar a saúde cardiovascular e a manter os ossos das pernas ativos. Já na bicicleta ergométrica sem banco o astronauta fica flutuando, preso pelos pedais. É uma cena curiosa, mas extremamente funcional, porque trabalha a resistência cardiovascular, melhora a circulação e combate o descondicionamento geral,” finaliza o personal trainer.
Luiz Fernando conta que podemos comparar com o sedentarismo na Terra. “A microgravidade funciona como um sedentarismo extremo e acelerado. O que acontece com um astronauta em algumas semanas pode acontecer com uma pessoa sedentária ao longo de anos”, sinaliza Lukas.
“Se até um astronauta precisa treinar duas horas por dia para não definhar, imagina o que está acontecendo com quem passa o dia sentado comendo besteira?” provoca o especialista.
Vídeo: https://www.instagram.com/reel/DXCFN1eh0LN/?igsh=MXZ6bmI5enB0d3I5MA==
*LUIZ FERNANDO LUKAS – Instagram: @luizfernandolukas – https://www.instagram.com/luizfernandolukas/*
_(Profissional de Educação Física – Personal Trainer – Pós-graduado em Musculação e Treinamento de Força)_