Por Barroso Guimarães
Com a chegada do outono, marcada por oscilações bruscas de temperatura, ar mais seco e maior permanência em ambientes fechados, cresce a incidência de doenças respiratórias em todo o país. O cenário exige atenção redobrada, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com comorbidades.
O tema foi abordado pela médica pneumologista doutora Nayana Mota, em entrevista ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM 106,1. Durante a conversa, a especialista explicou que as condições climáticas típicas da estação favorecem tanto a irritação das vias aéreas quanto a disseminação de vírus respiratórios.
Segundo a médica, o ar mais seco e a baixa umidade contribuem para a inflamação das vias respiratórias, agravando quadros alérgicos como rinite e asma. “Essas doenças já são inflamatórias por natureza. Com as mudanças climáticas, há um aumento dos gatilhos que intensificam os sintomas, como poeira, ácaros e variações de temperatura”, explicou.
Além disso, o maior tempo em ambientes fechados facilita a circulação de vírus como influenza, rinovírus e covid-19, o que impacta diretamente na elevação dos casos de síndromes gripais. Dados recentes apontados na entrevista indicam um aumento significativo de notificações de síndrome respiratória aguda grave no Brasil, com milhares de casos e óbitos registrados.
A pneumologista ressaltou que, na maioria das situações, as viroses são autolimitadas e podem ser tratadas com repouso, hidratação e controle de sintomas, como febre. No entanto, ela alerta para sinais que exigem avaliação médica imediata, como febre persistente, falta de ar, dor no peito, vômitos e confusão mental — especialmente em idosos.
Outro ponto destacado foi a importância da prevenção. Entre os principais erros cometidos pela população estão a permanência em locais fechados e mal ventilados, o uso de roupas guardadas sem higienização — favorecendo a exposição a ácaros — e a negligência com medidas básicas de higiene, como lavar as mãos com frequência.
A automedicação também foi citada como um fator de risco. “Ela pode mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico correto, comprometendo o tratamento”, alertou a especialista.
A vacinação contra a gripe segue como uma das principais estratégias de proteção, sobretudo para grupos prioritários, como idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas. De acordo com a médica, o imunizante não impede totalmente a infecção, mas reduz significativamente o risco de evolução para quadros graves, internações e óbitos.
Por fim, a doutora Nayana reforçou a necessidade de acompanhamento médico em casos mais delicados e atenção especial aos idosos, que podem apresentar maior dificuldade na administração correta de medicamentos.