Por Barroso Guimarães
Presidente da Associação Desportiva Confiança afirma que clube recebeu cerca de R$ 8 milhões no ano passado, mas tinha mais de R$ 12 milhões em dívidas no cheque especial; segundo ele, SAF assumiu débitos e empréstimos do clube
O presidente da Associação Desportiva Confiança, Petrúcio Souza, defendeu a transformação do clube em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e afirmou que o modelo associativo não teria condições financeiras de sustentar o Confiança sem a necessidade de aportes particulares.
Em entrevista ao programa Aperipê nos Esportes, apresentado por Alan Verone, Petrúcio disse que acompanhou de perto as contas do clube e afirmou que, no início do processo, o Confiança acumulava um déficit estimado entre R$ 15 milhões e R$ 16 milhões.
Segundo ele, esse valor foi reduzido para aproximadamente R$ 11 milhões ou R$ 12 milhões ao longo da gestão. Petrúcio também explicou que os cerca de R$ 8 milhões movimentados pelo clube no ano passado não foram suficientes para quitar todos os débitos existentes.
“Esses oito milhões, de forma direta, não pagaram nenhum débito de tudo”, afirmou.
Petrúcio citou ainda a situação do cheque especial, que, segundo ele, chegou a ultrapassar R$ 12 milhões. O dirigente destacou que uma parcela significativa das receitas do futebol é comprometida com despesas como salários, encargos e premiações.
Reclamações trabalhistas
O presidente também destacou o esforço da administração para reduzir o passivo trabalhista. Segundo Petrúcio, durante os três anos e meio de gestão, o Confiança teve apenas uma reclamação trabalhista, atualmente em andamento e sendo contestada pelo clube.
Ele afirmou que, no passado, o clube chegou a pagar mais de R$ 2 milhões em reclamações trabalhistas.
Petrúcio ressaltou que a estratégia foi reduzir despesas e evitar a geração de novos passivos, argumentando que processos trabalhistas podem elevar significativamente os valores inicialmente devidos.
Débitos foram incluídos no processo de transformação em SAF
Ao explicar a situação financeira do clube durante a transformação em SAF, Petrúcio afirmou que foram levantados todos os débitos existentes, incluindo INSS, FGTS, fornecedores, direitos trabalhistas e empréstimos.
Segundo ele, esses valores foram incluídos no pacote que deveria ser assumido pela SAF. O dirigente afirmou que os débitos foram parcelados e que houve pagamento de valores devidos a ex-dirigentes.
Na entrevista, entretanto, Petrúcio não informou os nomes dos ex-presidentes ou ex-dirigentes que teriam recebido esses valores. Também não apresentou, durante o trecho da entrevista, os valores individualizados pagos a cada um. Por isso, não é possível afirmar, com base nessa declaração, quais ex-presidentes receberam dinheiro ou quanto cada um recebeu.
Petrúcio rejeita tese de que a SAF tenha provocado o rebaixamento
O presidente do Confiança também contestou a ideia de que a transformação em SAF tenha sido responsável pelo rebaixamento do clube.
Para Petrúcio, o problema precisa ser analisado dentro de campo. Ele citou outros clubes que também adotaram o modelo de SAF e tiveram investimentos e evolução estrutural.
“Não foi a SAF que derrubou”, afirmou.
Na avaliação do dirigente, a discussão deve se concentrar na gestão esportiva e nos resultados obtidos dentro das quatro linhas, e não simplesmente no fato de o clube ter se transformado em SAF.
Futuro de Diogo Lemos
Questionado sobre a permanência de Diogo Lemos como CEO do Confiança, Petrúcio afirmou que não se posicionou nem a favor nem contra a renovação.
Segundo ele, essa decisão não cabe individualmente ao presidente da Associação Desportiva Confiança. O tema deverá ser levado ao Conselho Deliberativo, que terá a responsabilidade de analisar a situação e tomar uma decisão.
Petrúcio também afirmou que uma eventual solicitação para retirar a atual empresa responsável pela SAF do comando do futebol do Confiança também deverá ser discutida e decidida pelo Conselho Deliberativo da associação.
Veículos entraram no cálculo da participação do Confiança
Durante a entrevista, Petrúcio ainda explicou a situação de duas vans e um carro que atualmente estão sendo utilizados pela SAF.
Segundo ele, os veículos foram incluídos no levantamento patrimonial realizado durante a transformação do clube em SAF. O valor dos veículos teria sido considerado como parte do patrimônio e da receita utilizada para calcular a participação da Associação Desportiva Confiança na SAF.
Petrúcio afirmou que, sem a inclusão desses bens, a participação do clube na SAF seria menor.
Ao final, o dirigente reafirmou que defendeu a transformação do Confiança em SAF por acreditar que o modelo poderia trazer investimentos e permitir ao clube competir em melhores condições no cenário nacional.