Equipes da Semfas realizam intercâmbio nas cidades de São Paulo e Campinas para conhecer experiências e aperfeiçoar a estruturação do serviço, que prevê acolhimento temporário em ambiente familiar
Crescer em um ambiente seguro, com afeto, cuidado e atenção individualizada é um direito de toda criança e adolescente. Quando situações de vulnerabilidade exigem o afastamento temporário da família de origem por medida protetiva, garantir um espaço de convivência acolhedor e humanizado torna-se fundamental. Com esse propósito, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Secretaria Municipal da Família e da Assistência Social (Semfas), avança na estruturação e implantação do serviço de Família Acolhedora no município, cujo lançamento acontece no dia 27 deste mês, a partir das 8h, no auditório da Emurb.
Diferentemente do acolhimento institucional, realizado em abrigos e casas-lares, a modalidade permite que crianças e adolescentes sejam recebidos temporariamente por famílias previamente selecionadas, preparadas e acompanhadas por uma equipe técnica. A iniciativa busca assegurar vínculos afetivos, convivência comunitária e atenção às necessidades individuais, até que seja possível o retorno à família de origem ou, quando determinado judicialmente, o encaminhamento para adoção.
A proposta da Família Acolhedora é oferecer um ambiente que considere a subjetividade, a história de vida e as necessidades específicas de cada criança ou adolescente. A assistente social da Semfas, Ana Flávia Ribeiro Lima, destaca que o serviço também exige preparação e acompanhamento contínuo das famílias participantes.
“A Família Acolhedora é uma modalidade de acolhimento familiar em que crianças e adolescentes afastados de seus lares por medida protetiva são recebidos por famílias selecionadas e capacitadas por nós. É uma oportunidade para que tenham um atendimento individualizado, focado em sua subjetividade, algo que o acolhimento institucional, por seu formato coletivo, não consegue suprir da mesma forma”, explica.
Segundo a assistente social, as famílias acolhedoras tornam-se parceiras da política pública durante todo o processo, com orientação e suporte dos profissionais responsáveis pelo serviço.
“Não se trata de caridade, mas de uma política pública estruturada para garantir direitos. Por isso, cuidamos da preparação emocional em relação ao afeto e à futura despedida, acompanhando a família e também orientando a criança sobre o momento que está vivendo e sua própria história”, acrescenta Ana Flávia.
O acompanhamento técnico também busca contribuir para o bem-estar emocional dos acolhidos, respeitando suas experiências anteriores e favorecendo a construção de vínculos seguros. O psicólogo da Semfas, Marcel Maia de Oliveira Gomes, ressalta a importância do cuidado individualizado para o desenvolvimento e a autonomia de crianças e adolescentes.
“Historicamente, o acolhimento institucional apresenta particularidades que podem contribuir para dificuldades no estabelecimento de vínculos afetivos estáveis e na construção da autonomia. A perspectiva da Família Acolhedora traz empatia, afeto, cuidado e singularidade para o cotidiano. Estar em um lar permite que a criança e o adolescente sejam vistos em suas especificidades. Estudos apontam que esse formato proporciona ganhos de autonomia, subjetividade e construção de relações saudáveis”, afirma.
Intercâmbio técnico fortalece a implantação do serviço
Para aprimorar a metodologia de trabalho e conhecer práticas já desenvolvidas em outros municípios, a equipe técnica da Semfas realizou um intercâmbio de experiências que se deu nas cidades de São Paulo e Campinas. A agenda permitiu conhecer estratégias de organização e funcionamento do serviço de Família Acolhedora, contribuindo para o planejamento das próximas etapas em Aracaju.
A troca de conhecimentos deverá auxiliar no aperfeiçoamento dos fluxos de atendimento, na preparação das equipes e na organização dos procedimentos necessários à implantação da modalidade na capital sergipana.
A coordenadora do serviço de Família Acolhedora em Aracaju, Luciana Prado, avalia que o intercâmbio contribuiu para o trabalho desenvolvido nesta fase de estruturação e destaca os próximos passos.
“A experiência do intercâmbio em São Paulo e Campinas foi extremamente proveitosa para a nossa fase de implantação. Essa expertise compartilhada traz ganhos diretos para Aracaju. Já a partir deste mês, daremos início à divulgação pública direcionada às famílias que têm interesse em se voluntariar para o serviço. A partir da inscrição, começaremos as etapas de seleção e formação para que essas famílias estejam prontas para acolher com toda a atenção e proteção necessárias”, explica.
Participação da sociedade na garantia de direitos
Com a previsão de iniciar a divulgação pública e o cadastramento de famílias interessadas, a Semfas pretende ampliar a participação da sociedade na proteção de crianças e adolescentes que precisam de acolhimento temporário.
As famílias participantes deverão passar por etapas de seleção e capacitação, além de receber acompanhamento da equipe técnica durante o período de acolhimento. O objetivo é assegurar que a experiência seja conduzida com responsabilidade, respeitando os direitos, a história e as necessidades de cada criança ou adolescente.
A implantação do Serviço de Família Acolhedora representa, assim, mais uma estratégia para fortalecer a atenção ao Plano Municipal da Primeira Infância, e toda a rede de proteção social de Aracaju, com foco na convivência familiar e comunitária, no desenvolvimento integral e na garantia de direitos da infância e da adolescência.
Foto e texto: Ascom/Semfas
Fonte: Faxaju