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Principal missão de Gleisi é aprovar reforma do IR, diz especialista ao WW

Em meio à dança das cadeiras no governo Lula, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, acabou sendo indicada para chefiar a Secretaria de Relações Institucionais, até então comandada pelo colega de partido Alexandre Padilha.

À frente da articulação política do Executivo, Gleisi terá como principal missão restaurar a credibilidade política do presidente com o eleitorado, o que deve ser feito, sobretudo, através da reforma do Imposto de Renda (IR), avaliou Leonardo Barreto, sócio da consultoria Think Policy, ao WW desta sexta-feira (28).

“A principal missão da Gleisi é aprovar a isenção do Imposto de Renda porque, talvez, seja a única bandeira que o governo tenha em 2026 como uma agenda real de recuperar reputação”, ponderou Barreto.

Promessa de campanha de Lula, o projeto de isenção do IR para quem recebe até R$ 5 mil por mês foi ventilado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, num primeiro momento em novembro de 2024 – em paralelo ao anúncio de corte de gastos, o que não agradou o mercado.

Agora, o governo planeja enviar o projeto após o Carnaval, pelo que sinalizou Haddad.

Hoffmann vai deixar o comando do partido do presidente Lula e assumir cargo na Esplanada em um momento delicado para o Executivo.

O governo enfrenta queda na popularidade após passar por alguns caminhos esburacados pela economia – como dificuldades em manejar as contas públicas, a alta do preço dos alimentos e o episódio do Pix com a Receita Federal.

Barreto observou, assim como grande parte do mercado, que um dos temores frente a esse cenário é de que o governo deve acabar se apoiando na expansão dos gastos públicos para recuperar o espaço perdido com o eleitorado.

“Quando o presidente Lula diz que ele não gosta do macro, ele gosta do micro, o que ele esta querendo dizer é que ele gosta de distribuir. Se olhar para a escola política dele, que é o sindicato, é uma relação pecuniária, ele luta por aumento de salário. Para ele, o processo distributivo na democracia é o que vale”, ressaltou.

Mas essa geringonça que ele está pilotando, onde o Banco Central puxa o freio de um lado e o governo acelera do outro, a gente vai chegar em 2026 com esse desconforto macro e o governo tentanto compensar a perda de popularidade via distribuição. Não tem dinheiro para tanto. Agora, que a Gleisi reforça essa linha heterodoxa e populista de conduzir a política econômica, disso não restam dúvidas”, concluiu.

Veja os 5 sinais de que as contas públicas do Brasil estão em risco

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