Por Barroso Guimarães
A rotina marcada por trabalho, estudos, compromissos, cobranças e excesso de estímulos pode fazer com que muitas pessoas priorizem constantemente o que precisa ser feito e deixem em segundo plano a própria saúde emocional.
O alerta foi feito pela psicóloga Elen Paesante, especialista em Gestalt-terapia, Arteterapia e Ecopsicologia, durante entrevista ao programa A Hora da Notícia, da Rádio Aperipê FM 106.1.
Segundo Elen Paesante, a pressão por produtividade pode levar as pessoas a desconsiderarem o próprio ritmo e a enxergarem o descanso como perda de tempo. Para ela, é necessário respeitar os limites individuais e compreender que cada pessoa possui um ritmo próprio.
A psicóloga explicou que uma rotina movimentada não representa necessariamente um problema. A preocupação surge quando as atividades começam a interferir no cotidiano, nas relações e na qualidade de vida.
Entre os sinais que merecem atenção estão o cansaço constante, alterações no sono, ansiedade e dificuldades para realizar atividades do dia a dia.
Elen Paesante também destacou a importância do sono para o funcionamento do organismo. Segundo ela, a dificuldade de desacelerar no período noturno pode manter a mente em estado de alerta e prejudicar o descanso.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi o excesso de informações e o uso constante das redes sociais. Para a psicóloga, a sucessão de estímulos e cobranças presentes no ambiente digital pode contribuir para a sensação de sobrecarga.
A especialista chamou atenção ainda para a importância das relações pessoais. Momentos simples de convivência, como uma conversa durante um café ou uma refeição em família, podem ser prejudicados quando as pessoas permanecem constantemente conectadas ao celular.
Elen Paesante também falou sobre os impactos das jornadas de trabalho excessivas e citou o burnout entre os problemas relacionados ao excesso de trabalho e à falta de descanso.
Durante a conversa, a psicóloga ressaltou ainda a importância de estabelecer limites. Segundo ela, aprender a dizer “não” pode representar uma forma de preservar o próprio espaço e reconhecer as próprias necessidades.
A especialista também explicou que mudanças importantes na vida podem provocar ansiedade e exigir um período de adaptação. Ela citou situações como mudanças de emprego, separações, perdas e outras rupturas que alteram vínculos construídos ao longo dos anos.
Ao final da entrevista, Elen Paesante explicou que a Gestalt-terapia é uma abordagem da psicologia fundamentada no existencialismo, no humanismo e na fenomenologia, com atenção especial ao chamado “aqui e agora”.
A psicóloga deixou uma mensagem para quem enfrenta uma rotina marcada pela pressa e pelo excesso de cobranças: é necessário buscar mais presença e qualidade de vida, valorizando a capacidade de perceber as próprias emoções, sensações e necessidades.