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Setembro Amarelo: como o vínculo com os animais pode ajudar em momentos de sofrimento emocional

Cães e gatos podem representar companhia, afeto, presença e conexão em diferentes momentos da vida. Embora um animal não substitua tratamento psicológico ou psiquiátrico, pesquisas científicas vêm investigando de que maneira a interação e o vínculo humano-animal podem estar relacionados a aspectos da saúde mental.

Uma meta-análise publicada em 2026 no Journal of Global Health reuniu 35 estudos randomizados, envolvendo 2.391 adultos, e encontrou associação entre intervenções assistidas por animais e redução de sintomas de depressão, ansiedade e estresse. Os pesquisadores, porém, destacam diferenças entre os estudos e apontam a necessidade de pesquisas mais robustas para compreender melhor esses efeitos.

Outro levantamento, publicado em 2025, analisou 116 estudos sobre a relação entre apego aos animais de companhia e saúde mental. Os resultados foram variados: enquanto parte das pesquisas encontrou associação entre maior vínculo com animais e melhores indicadores de saúde mental, outras não identificaram relação significativa. Os próprios pesquisadores ressaltam que grande parte dos estudos não permite estabelecer uma relação direta de causa e efeito.

Para o Instituto Ampara Animal e a CasAdote, os resultados ajudam a colocar em perspectiva uma relação que muitas pessoas experimentam no cotidiano: a presença de um animal pode fazer parte da rede afetiva e social de um indivíduo, especialmente em períodos de solidão ou fragilidade emocional.

“Os animais não substituem psicólogos, psiquiatras, médicos ou qualquer tratamento de saúde mental. Mas eles podem ocupar um lugar muito importante na vida de uma pessoa: o de companhia, vínculo, presença e afeto. Para alguém que está vivendo um período de solidão, ter um animal ao lado pode significar também ter uma rotina, alguém para cuidar e uma relação baseada em confiança e afeto”, afirma Juliana Camargo, presidente do Instituto Ampara Animal.

A força da rotina e da companhia

A convivência com um animal também pode introduzir pequenas estruturas na rotina. Alimentar, trocar a água, brincar, cuidar da higiene ou simplesmente estar próximo de um cão ou gato são atividades que criam momentos de interação e responsabilidade.

No caso dos cães, os passeios também podem estimular a saída de casa e aumentar as oportunidades de contato com outras pessoas. Nenhum desses fatores deve ser entendido como tratamento para transtornos mentais, mas eles podem integrar a experiência cotidiana de quem convive com um animal.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 analisou 21 estudos sobre interações entre humanos e animais de companhia durante a pandemia de Covid-19. Os pesquisadores encontraram associações entre interação ou vínculo com animais e alguns indicadores de saúde mental, incluindo menores níveis de sintomas depressivos em determinados grupos. Entretanto, também destacaram que os estudos não permitem determinar com segurança a direção dessa relação.

Isso significa que ainda não é possível afirmar simplesmente que “ter um animal melhora a saúde mental”. Pessoas que já apresentam determinadas condições emocionais podem, por exemplo, estabelecer diferentes formas de vínculo com seus animais. A relação é complexa e envolve características individuais, contexto social e qualidade do vínculo.

Adoção responsável também é fundamental

A discussão sobre o papel dos animais na saúde emocional durante o Setembro Amarelo também precisa considerar o outro lado da relação: as necessidades do próprio animal.

A adoção não deve ser encarada como uma forma de tratamento ou como uma solução para problemas emocionais. Cães e gatos demandam tempo, recursos financeiros, cuidados veterinários, alimentação, atenção e compromisso durante toda a vida.

Na CasAdote, centeo de adoção permanete do Instituto Ampara Animal em parceria com a ONG Encontrei um Amigo, a proposta é justamente promover encontros responsáveis entre animais e pessoas que estejam preparadas para assumir esse compromisso.

“A adoção pode transformar a vida de um animal e também criar um vínculo muito significativo para uma pessoa. Mas é fundamental deixar claro que ninguém deve adotar um animal exclusivamente como estratégia para enfrentar uma depressão, uma crise emocional ou um momento de sofrimento. O animal também tem necessidades, personalidade e direitos. A relação precisa ser positiva para os dois lados”, afirma Juliana Camargo.

O animal como parte da rede de apoio

A presença de um cão ou gato pode fazer parte da rede afetiva de uma pessoa, mas não deve ser confundida com uma rede de atendimento profissional.

Durante o Setembro Amarelo, a recomendação para quem enfrenta sofrimento emocional intenso é buscar ajuda. O Ministério da Saúde orienta que pessoas em situação de sofrimento ou risco sejam encaminhadas para os serviços de saúde adequados.

Em situações de emergência, é possível procurar uma UPA ou pronto-socorro ou acionar o SAMU pelo número 192. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.

A mensagem da campanha é clara: ninguém precisa enfrentar sozinho um momento de sofrimento. E, para muitas pessoas, os animais podem fazer parte dessa rede de afeto e companhia — sem substituir o cuidado profissional necessário.

Fonte: AJN1

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