A médica pneumologista Naiana Mota alertou para os impactos do tabagismo e do uso de cigarros eletrônicos durante entrevista concedida ao jornalista Barroso Guimarães, no programa A Hora da Notícia, da Aperipê FM. A entrevista foi realizada em alusão ao Dia Mundial Sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, data dedicada à conscientização sobre os prejuízos causados pelo cigarro à saúde pública.
Durante a conversa, a especialista destacou que o tabagismo continua sendo uma das principais causas de mortes evitáveis no mundo. Segundo ela, apesar da redução no número de fumantes nas últimas décadas, impulsionada por campanhas educativas e restrições à publicidade do cigarro, o avanço dos dispositivos eletrônicos para fumar tem preocupado profissionais da saúde.
De acordo com a pneumologista, a indústria do tabaco mudou a estratégia de marketing e passou a direcionar os cigarros eletrônicos principalmente ao público jovem, utilizando aparelhos coloridos, tecnológicos e com aromas atrativos, como menta e frutas. Ela ressaltou que a alta concentração de nicotina presente nos vapes aumenta significativamente o potencial de dependência.
A médica explicou ainda que o cigarro não está relacionado apenas ao câncer de pulmão. Entre as doenças associadas ao tabagismo estão infarto, AVC, hipertensão arterial, enfisema pulmonar, câncer de laringe, esôfago e estômago, além de problemas vasculares graves que podem levar à amputação de membros.
Durante a entrevista, a produção do programa compartilhou o relato da mãe da jornalista Miza Tamara, que sofreu amputações nas duas pernas em decorrência do tabagismo e, mesmo diante das complicações, não conseguiu abandonar o vício. Para a pneumologista, a nicotina provoca forte dependência química e emocional, tornando o tratamento um processo multidisciplinar, que envolve apoio médico, psicológico e uso de terapias específicas.
A especialista também destacou os danos do fumo passivo, alertando que pessoas expostas à fumaça do cigarro apresentam maior risco de desenvolver doenças respiratórias, alergias, asma, enfisema e câncer.
Sobre os efeitos da interrupção do tabagismo, Naiana Mota explicou que os danos já causados ao pulmão não se regeneram, mas a suspensão do cigarro impede a progressão das lesões e reduz, ao longo dos anos, os riscos cardiovasculares e de câncer. Segundo ela, após 15 anos sem fumar, o risco de câncer de pulmão se aproxima do de uma pessoa que nunca fumou.
A pneumologista chamou atenção ainda para o agravamento das doenças respiratórias durante o período chuvoso e de mudanças climáticas, especialmente em pacientes fumantes que já possuem asma ou Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC).
Durante a entrevista, a médica também falou sobre a importância da vacina Pneumo 20, indicada principalmente para idosos e pacientes com doenças pulmonares crônicas. Segundo ela, o imunizante ajuda a prevenir formas graves de pneumonia, meningite e infecções causadas pelo pneumococo, reduzindo o risco de internações, UTI e insuficiência respiratória.
Ao final da entrevista, Naiana Mota orientou fumantes que desejam abandonar o vício a procurarem ajuda especializada. Ela informou que existem grupos de combate ao tabagismo em unidades de saúde e também no Cemar, em Aracaju, oferecendo acompanhamento médico, psicológico e medicamentos para auxiliar no tratamento.