Chegou ao fim, na noite deste domingo, 1º de novembro, na Orla da Atalaia, em Aracaju, a terceira edição da Vila da Criança. Ao longo de 24 dias de programação ininterrupta, o evento promovido pelo Governo de Sergipe ofereceu gratuitamente diversão, entretenimento, cultura e lazer para crianças, famílias e turistas. Além de proporcionar momentos de convivência e experiências para o público infantil, a iniciativa também contribuiu para movimentar a economia, gerando oportunidades de trabalho e renda para pequenos empreendedores e ambulantes.
Elisângela Santos, de 36 anos, aproveitou o último dia de programação para trazer sua filha, Emilly Santos, 11, para curtir as atrações da Vila da Criança. Para ela, a estrutura e a diversidade de atividades oferecidas fizeram a diferença. “Essa é a primeira vez que a gente tá vindo neste ano para a Vila da Criança, mas a gente está sempre presente nas vilas. Eu estou achando tudo muito organizado, tem muita cor, criança gosta de cor, brinquedos gratuitos, que isso é interessante. Muitas atrações culturais, que é bom introduzir a cultura nas crianças”, avaliou Elisângela. “Vou nos brinquedos. E as comidas também são muito deliciosas”, afirmou Emilly.
Com roda-gigante, arena gamer, minicidade, escultura de dinossauro gigante, brinquedos infláveis, entre outras atrações, opções de lazer não faltaram durante os 24 dias de programação. Além das atrações recreativas, a estrutura da Vila da Criança também contou com espaços e serviços voltados à inclusão, à acessibilidade e ao acolhimento das famílias. O público teve à disposição o Espaço Multissensorial, o Espaço PcD, Estação Acolher, fraldário e sala de amamentação, além do atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Mais do que um espaço de diversão, a Vila da Criança também teve como proposta aproximar o público infantil das manifestações culturais sergipanas. Por meio de atividades lúdicas e apresentações artísticas, a programação valorizou as tradições populares do estado e proporcionou às crianças o contato com diferentes expressões da identidade cultural sergipana.
Valorização da cultura sergipana
Nesta edição, além de proporcionar diversão, a Vila da Criança também teve como destaque a valorização e o compartilhamento da cultura sergipana com o público infantil, aproximando as crianças das tradições e manifestações culturais do estado. Os cortejos culturais, realizados sempre aos finais de semana, reuniram nove grupos tradicionais do estado, entre eles os Parafusos, as Caceteiras de Mestre Rindú e o Reisado São José. O cinema exibiu diariamente cinco filmes produzidos no estado, enquanto o teatro recebeu 48 espetáculos, com apresentações de peças sergipanas. Neste último dia de programação, um dos espetáculos que o público pôde acompanhar foi ‘Oxe Sergipe, a Caixa de Memoriar’, do grupo Companhia Invisível.
Para o ator e integrante do grupo, Bruno Kelvernek, 41, participar da Vila da Criança foi uma oportunidade de apresentar a produção artística local a diferentes públicos. “Muito legal a gente poder estar aqui no encerramento da Vila da Criança. Essa ajuda que o Governo do Estado tem dado é muito importante para nós, artistas sergipanos, para estarmos se apresentando, trazendo um novo público, seja ele turista, seja ele da terra também”, destacou.
O artista também ressaltou a importância de se apresentar durante a semana da Sergipanidade e de contribuir para a transmissão da cultura sergipana às novas gerações. “Muito importante que a gente consiga passar a cultura principalmente nessa semana. A gente está trazendo um espetáculo totalmente voltado para Sergipe, para a cultura sergipana, para tentar entregar para as crianças, para possam continuar passando a cultura sergipana, que vem dos nossos avós, nossos pais, para todo mundo”, avaliou.
Bruno contou um pouco sobre a proposta do espetáculo e os elementos da cultura sergipana apresentados ao público infantil. “A ideia é que a gente traz uma caixa para lembrar das memórias de Sergipe, do samba de pareia, da cultura sergipana, de Laranjeiras, de São Cristóvão. Então, trazendo toda a ideia de cultura, de danças folclóricas, de comidas típicas também de Sergipe para as crianças lembrarem e passarem adiante. A interação com as crianças foi maravilhosa, elas são multiplicadoras do que a gente vem fazendo”, considerou.
O espetáculo reuniu famílias e pessoas de diferentes idades. Tauana Donald, de 43 anos, veio acompanhada do marido e da mãe, e aproveitou para trazer a filha, Ingrid Donald, de 3 anos, e o sobrinho. “Ela gostou muito. Acho muito interessante a proposta do teatro, porque ele incentiva a cultura, até para eles aprenderem, além, é claro, de fazer a diversão da criançada. As crianças ficam doidas para brincar em tudo. Esse ano está tudo muito lindo. O policiamento está bom, Corpo de Bombeiros também”, avaliou.
Renda para pequenos empreendedores
A movimentação na Vila também refletiu na geração de trabalho e renda. Com espaços destinados às economias criativa e solidária, além de áreas para ambulantes, o evento abriu oportunidades para que pequenos empreendedores ampliassem suas vendas e divulgassem seus trabalhos. É o caso da artesã Célia Maria, de 52 anos, que comercializa artigos feitos de crochê na Vila e destacou a importância do evento para ampliar as vendas e apresentar seu trabalho a novos públicos.
“Eu recebo essa oportunidade com muita alegria, porque é uma época que a gente aguarda muito, se prepara muito. A gente prepara objetos que chamem a atenção das crianças. Então é uma oportunidade muito boa para a gente. As crianças gostam muito. Quando tem um tema voltado para elas, elas gostam”, contou.
Célia explicou ainda como funciona a preparação, desde a inscrição no edital de seleção até a participação no evento. “A partir do momento que a gente se inscreve, já começamos a produzir, independente do resultado [do edital de seleção]. Mas eu, graças a Deus, estive em todos os eventos”. Segundo ela, a presença de turistas também contribui para as vendas e amplia a visibilidade do artesanato sergipano. “Os turistas amam as peças, porque quem vem de fora não tem acesso e quer levar uma lembrancinha daqui. Depois dessa gestão, eu percebo que o turismo melhorou. Antigamente a gente trabalhava por época. Hoje em dia não, tem turista o ano todo. As vendas esse ano foram ótimas”, afirmou.
Na economia solidária, a vendedora de doces e salgados Eliane de Jesus, de 49 anos, também comemorou a oportunidade de trabalhar durante o evento e conquistar uma renda extra. “Eu trabalho só com eventos. Então, no mês de outubro, trabalho com comida voltada mais ao público infantil. Eu já participei de todas as vilas, para mim cada uma é diferente. É uma renda extra, é o meu trabalho. Para mim é gratificante saber que o pessoal tá gostando dos meus produtos. Eles sempre voltam para comer e eu volto para casa feliz com as vendas”, afirmou.
O evento também foi uma oportunidade para que ambulantes pudessem garantir uma renda extra. Neste ano, foram disponibilizadas 64 vagas para trabalhadores do comércio informal. A jovem Anne Victória, de 18 anos, comercializou pipocas doces e salgadas durante os 24 dias de programação da Vila. Para ela, a participação representou uma oportunidade de reforçar o orçamento e ampliar os ganhos com a venda de alimentos. “Esse evento é muito importante, muito incrível. Para nós, ambulantes, é um dinheiro a mais, uma renda a mais para poder nos ajudar. No dia 12, mesmo, aqui encheu, lotou de crianças. As vendas foram boas”, contou.
Acolhimento e cuidado com as crianças
Por trás de toda a estrutura e das atividades oferecidas ao público, também esteve o trabalho de profissionais responsáveis por acolher os visitantes e garantir o funcionamento da programação. A monitora do Espaço Recreativo, Tainah Lins, participou de todas as edições da Vila da Criança e acompanhou de perto a evolução do evento. Ela atuou durante os 24 dias desta edição e compartilhou a experiência de trabalhar diretamente com as crianças e suas famílias.
“Esse ano foi incrível. O fluxo foi maravilhoso. Sempre tem aqueles rostinhos conhecidos que marcam de vilas anteriores. Hoje a gente fez novamente atividade com a massinha, que as crianças adoram. Em sequência, demos início à atividade com a pintura, giz de cera, colagem, que eles também adoram”, afirmou.
Tainah falou ainda sobre a preparação da equipe para receber a diversidade de crianças que frequentam o espaço, incluindo aquelas com necessidades específicas de acolhimento. “Nos preparamos da melhor forma. Recebemos muitas crianças atípicas também, então a gente já está preparada para poder receber eles, é sempre uma evolução. A gente tem um espaço baby também aqui dentro, que serve muito para acolher justamente eles e para as crianças menores”, completou.
Vila da Criança
A Vila da Criança 2026 é uma realização do Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) e da Secretaria de Estado da Assistência Social, Inclusão e Cidadania (Seasic), com o apoio da Energisa, Netiz, Iguá Sergipe e Deso, além de patrocínio do Banese Card.
Foto: Igor Matias
Fonte: Faxaju