“Entendo que foi uma campanha marcada por muita desinformação. Os desentendimentos podem ser apenas momentâneos”, disse.
Passou por ela, na mesma calçada, de camisa da seleção brasileira, o bacharel em direito que preferiu se identificar apenas como Leonardo*, de 36 anos.
“Eu desfiz muitas amizades. Entendo que há intolerância de toda parte. O que ocorreu em 8 de janeiro (atos antidemocráticos de 2023), por exemplo, é condenável. Mas me senti discriminado nos últimos anos”, afirmou.
Ele espera que o próximo governo, a ser eleito neste domingo (25), conte com o respeito de quem foi derrotado.
Também de camisa da seleção brasileira estavam as amigas Lana Wendy Rodrigues, monitora de creche de 29 anos, e a vendedora Dayane Gomes, de 32 anos. Ambas moradoras de Sobradinho 2, na periferia do Distrito Federal, elas dizem que não tiveram resistências ou intolerâncias de quem pensa diferente porque preferem evitar “conversas de política” no dia a dia. Dizem que vivem em uma “bolha” em que há preferências por ideais “de direita”. Juntas, levaram uma bandeira do Brasil para o ato.
Contrários a extremismos
Lana e Dayane tiveram, porém, dois irmãos que preferiram não vestir amarelo na manifestação. O bancário Samuel Nascimento, de 26, e a consultora, Julia Nascimento, de 34, costumam frequentar manifestações juntos e são contrários a “extremismos”.
“Entendo que a democracia deve ser respeitada por quem ganhar e por quem perder. A alternância de poder precisa ser pacífica”, disse o rapaz.
Vendendo leques, bonés e camisetas com imagens do candidato Flávio Bolsonaro, a estudante secundarista Maria Eduarda Nascimento, de 18 anos, estava empolgada com o primeiro voto. Um ano importante para ela, que pretende tentar ingressar no curso superior de biomedicina. Ela diz que foi influenciada pelo gosto do pai e também de amigos da igreja evangélica que frequenta na Ceilândia, a maior região administrativa do Distrito Federal.
A dois quilômetros dali, as irmãs gêmeas Laila e Melissa Lacerda, de 16 anos, também estavam entusiasmadas com o primeiro voto para o presidente Lula. Na rotina de estudos do segundo ano do ensino médio, elas disseram que estão muito felizes e empolgadas com a participação dos mais jovens nos atos.